Utilidade Pública

Foi você quem esqueceu esta mulher num churrasco no Parque Barigüi?

O QUE ROLA NA INTERNET

No primeiro de abril, esta foi a piada campeã de audiência na internet. Conta a história do cidadão que morreu e foi para o céu. Enquanto estava em frente a São Pedro nos Portões Celestiais, viu uma enorme parede com relógios atrás dele. Ele perguntou:

– O que são todos aqueles relógios?

São Pedro respondeu:

– São Relógios da Mentira. Todo mundo na Terra tem um Relógio da Mentira. Cada vez que uma criatura mente, os ponteiros de seu relógio movem-se.

– Oh! – exclamou o cidadão – De quem é aquele relógio ali?

– É o de Madre Teresa, os ponteiros nunca se moveram, indicando que ela nunca mentiu.

– E aquele, é de quem?

– É o de Abraham Lincoln. Os ponteiros só se moveram duas vezes, indicando que ele só mentiu duas vezes em toda a sua vida.

– E o Relógio do Lula, também esta aqui?

– Ah! O do Lula está na minha sala. Estou usando – o como ventilador de teto.

TODOS OS PLANOS – Uma outra anedota circula na internet dizendo que os últimos presidentes foram marcados por planos: o Cruzado, de Sarney, o Collor, de Collor, e o Real, de FHC. O de Lula é Plano Colombo, homenagem ao navegador Cristóvão Colombo. Como se sabe, quando partiu não sabia seu destino e quando chegou não sabia onde estava.

SENHOR JUIZ – Outro sucesso da internet é a decisão proferida pelo juiz Rafael Gonçalves de Paula nos autos n.º 124/03 – 3.ª Vara Criminal da Comarca de Palmas/TO: trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas melancias.

A DECISÃO – Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Gandhi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional). Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário. Poderia brandir minha ira contra os neoliberais, o Consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia. Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra – e aí, cadê a justiça nesse mundo? Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.

Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir. Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo.

Expeçam-se os alvarás. Intimem-se.
Palmas – TO, 05 de setembro de 2003.
Rafael Gonçalves de Paula – Juiz de Direito

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