No intervalo entre o primeiro e segundo turnos da última eleição, esta coluna registrou a idéia da criação da Universidade do Litoral, um sonho antigo do povo de serra abaixo. Dizia que sonhar é bom e não carece de verba, imaginando a nossa orla efervescendo de março a abril, com ondas de jovens, milhares deles, ocupando ruas e calçadas, numa ressaca transformadora que funcionaria assim: com a Universidade do Litoral, “ao lado do hipermercado novo o dono do posto de gasolina abastece o carro do estudante que vai passar no shopping pra comprar camisa e tênis novos pra sair com a namorada e jantar num restaurante pra depois dançar na boate e comer um sanduba antes de voltar pra casa que ela alugou barato só para o período escolar de março a dezembro.”

A frase, assim sem vírgula e entre aspas, vamos multiplicar por mil, dois mil, milhares – novesfora – e calcular o quanto toda gente da beira-mar lucraria com uma possível Universidade do Litoral.

Iniciado o segundo turno, o candidato Roberto Requião foi rápido no gatilho e incorporou a idéia ao palanque da campanha vencedora. Agora, deu no Diário Oficial, o governador eleito botou o discurso e a promessa no papel: assinou o decreto 948 instituindo a comissão de trabalho que vai efetuar estudos para a implantação da Universidade do Litoral. A comissão tem 120 dias para concluir seus trabalhos.

Tempo de sobra para a rapaziada bronzeada do litoral já ir pensado no cardápio de frutos do mar para devidas comemorações. Consta que o governador não dispensa uma caranguejada com feijão preto.

E se a comissão achar por bem criar na Ilha das Cobras uma cátedra para o Ócio, considero-me desde já matriculado.

UM PIANO EM BAGDÁ

Vendo a foto do palácio do filho de Saddam, Uday Hussein, sendo saqueado, com um piano de cauda destruído e abandonado, a imagem fez lembrar uma gaiata teoria sobre as causas que fazem dos guerrilheiros árabes entusiastas do terrorismo suicida. Uma arma contra a qual os norte-americanos não estão preparados nem possuem tecnologia para enfrentar.

Segundo a teoria, os terroristas árabes se suicidam pelo seguinte: são proibidos de fazer sexo antes do casamento, não tomam bebidas alcoólicas, não podem ver televisão, rádio, usar a internet, comer carne de porco nem pensar, ouvir música não religiosa, ir ao barbeiro, freqüentar bares, boates e festas.

Além disso, eles têm areia por todos os lados e nenhum buggy pra se divertir, usam saias em lugar de uma calça jeans, as mulheres usam burka e não um modelito Armani, quando casam os maridos são escolhidos pelos outros e acreditam que só com a morte, no paraíso, vão enfim conhecer as delícias do decadente mundo ocidental.

Portanto, aquele piano de cauda destruído e abandonado faz sentido: pra lá de Bagdá, um piano deve servir no máximo como mesa de canto. Pra acompanhar um uisquinho, a Laís Mann e um violão, nem pensar.

SURURU DAS ARÁBIAS

Osama Bin Laden está inconformado e disposto a abandonar o covil onde encontra-se escondido com Saddam Hussein. Não foi avisado que o ditador iraquiano ronca.

HAJA SAQUES

Essa onda de saques dos iraquianos é do balacobaco: só um brimo distante de Saddam sacou na Suiça 20 milhões de dólares. Fora os saques dos amigos mais próximos.

BARBA DE MOLHO

É só o que se diz no Oriente Médio: te cuida, Fidel Castro!

Até quarta-feira, véspera de bacalhoada!

DANTE MENDONÇA

dantem@pron.com.br 
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