Uma questão de cores

“Vocês poderiam dizer por que o candidato a prefeito está renegando as cores do partido? O vermelho? Renegar as cores do partido é o mesmo que o atleticano usar bandeiras amarelas e verdes assim como o Coxa usar roxas e brancas ou o paranaense marrons e pretas.” (Antônio Carlos Lopes)

Não era minha intenção tocar no assunto antes do último voto ser computado na urna eletrônica. Certos assuntos, diz o bom senso, merecem restar no limbo enquanto o eleitor analisa cada candidato, antes de decidir se o envia ao inferno dos derrotados ou ao céu dos eleitos. No entanto, o leitor Antônio Carlos Lopes provocou o debate com o questionamento acima e, é bom grifar, não vai aqui um comentário de ordem política. Mas, sim, uma observação estética e antropológica.

Antropológica porque está até no gibi. Desde o tempo do Príncipe Valente, na Idade Média, aprendemos no gibi a identificar os soldados pelas suas cores e seus escudos. Bem depois, no tempo do velho oeste, também estava no gibi que bandidos e mocinhos eram identificados pelas cores de suas roupas – ou seriam fantasias? – e pelas cores dos seus cavalos. Zorro, aquele Zorro do Tonto, tinha um cavalo branco chamado Silver. Já o Zorro do sargento Garcia tinha um cavalo preto e se chamava Tornado. E os bandidos de ambos os zorros em geral tinham cavalos malhados com cores de burros quando fogem em desabalada carreira. E os cavalos dos índios? Estes não tinham cores específicas, mas quase sempre eram baios.

Quando Napoleão ia à guerra, qual era a cor do cavalo branco de Napoleão? Era branco. E quais eram as cores que identificavam os soldados de Napoleão? Até um daltônico sabe que o exército de Napoleão envergava as cores da bandeira da França: vermelho, azul e branco. E ai de algum soldado do exército de Napoleão que ousasse marchar em direção à Rússia com calça verdinha! Seria inapelavelmente exilado na ilha de Elba.

Não vamos tão longe. Já imaginaram, como lembrou o leitor, um torcedor vascaíno torcendo para o preto e branco no meio da torcida do vermelho e preto? Os flamenguistas com certeza matariam o infeliz e alegariam legítima defesa. Saindo do Maracanã, vamos dar uma passada no Sambódromo. O cenário verde e rosa da Mangueira é uma beleza. Assim como o desfile de todas as outras escolas de samba, que defendem com o samba-enredo as próprias cores. Nunca, em carnaval algum, se viu a Mangueira de encarnado, que é a cor do Salgueiro.

Aproveitando a viagem, do Sambódromo vamos dar uma passada no circuito de Jacarepaguá em dia de Fórmula 1. Não seria o vermelho a causa dos fracassos de Rubinho Barrichel-lo? Se Duda Mendonça fosse o marqueteiro da escuderia, com certeza pintaria a Ferrari de azul para fazer o Rubinho vencer. Assim como foi feito com o PT, pelas mãos do mesmo marqueteiro baiano.

Deram uma reformada no Partido dos Trabalhadores, lataria e pintura. O caminhão de Lula era vermelho no documento, e pintaram de azul. Pelas leis do trânsito, isso é uma irregularidade. Tem que reformar também o documento.

Para os petistas de carteirinha, o vermelho é identidade. Mais, é a cor não só da pele do partido como também é cor do uniforme com que o exército petista ia à guerra.

Ora deitados em berço esplêndido, é ver pra crer: se o vermelho acordar… te cuida, azul e amarelo!

NOITE E DIA DE AUTÓGRAFOS – Até domingo, de Florianópolis, onde estaremos para triplo lançamento do livro Botecário. Se você aparecer na ilha nesse final de semana, eis a programação:

Dia 22 de outubro, sexta-feira: 10 horas – Alvorada festiva / 17 horas – BOX 32 (até a última saideira no Mercado Público)

Dia 23 de outubro, sábado: 9 horas – Alvorada festiva / 10 horas – CAFÉ CASSOL, dia 23 de outubro, das 10 horas às 13 horas – (Cassol CenterLar – Av. Pres. Kennedy, 1593 – Campinas – São José) / 22h – ARMAZÉM VIEIRA, a partir das 22 horas e até o último sopro do trombone (Saco dos Limões).

Até domingo, com agradecimentos especiais pelo apoio total da Cassol CenterLar, que patrocina toda a programação.

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