É dose… mas se faz necessário um balanço geral dos prejuízos causados pelo furacão The New York Times. Um prejuízo que até podia ter saído barato, não fosse a ressaca do dia seguinte, fazendo render negativamente muito mais do que a matéria em si. Um tiro no pé, ainda mais quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a cassação do visto de permanência no Brasil do jornalista correspondente Larry Rother.
O desatino de quase meia página do jornalão americano rendeu outras centenas e centenas de páginas pelo mundo afora, graças à malograda expulsão. Francamente, não dava para tomar uma Kaiser antes?
Vamos pegar um exemplo: o jornal O Globo, que até então tinha publicado a notícia do NYT com certa sobriedade e moderação (apenas socialmente), na primeira hora saiu em defesa da privacidade do companheiro Mr Da Silva. Após a destemperada expulsão do jornalista, só na edição de ontem, dedicou nada mais nada menos do que três páginas ao assunto. Tirante a primeira página, mais as colunas – todas execrando a atitude que o governo tomou (epa!). O colunista Merval Pereira, veja só, até então fiel escudeiro da honra presidencial, também ficou invocado: “Uma atitude truculenta e autoritária, que fere a liberdade de imprensa”.
Como se não bastasse a reversão de opiniões na imprensa, até os engraçadinhos de plantão, ainda sóbrios no seu canto, botaram o bloco na rua. De ontem pra hoje os galhofeiros deram o ar de sua graça: anedotas, piadas e outras maldades campeiam. Da Europa, França e Bahia, todos perderam a sobriedade: o jornal esquerdista Libération pergunta assim no título da reportagem em que relata o episódio: “Lula bebeu para tomar esta decisão?”
Duas notinhas na coluna do Boechat, no Jornal do Brasil, que saiu com a seguinte manchete na edição de ontem: “Expulsão de jornalista americano deixa de ressaca o governo Lula”.
DO BOM – No cafezinho do Senado, ontem:
– Já escolheram o novo correspondente do The New York Times no Brasil.
– Quem é?
– Um tal de Johnnie Walker…
ANTI-CHURCHILL – Do ex-deputado e ex-petista Milton Temer, ontem, sobre o grande coquetel do momento: “O problema do Lula não é o que ele faz bêbado; é o que faz lúcido…”.
Como se não bastasse a galhofa tomar conta das páginas nobres dos jornais, até adesivos já podem ser vistos nas ruas:
– “Se vai governar, não beba; se vai beber, não governe”.
Da rua para o boteco, é só o que se canta no aperitivo:
– O Lula é um bom companheiro/ O Lula é um bom companheiro/ O Lula é um bom companheiro… ninguém pode negar!
Do cronista Tutty Vasquez, algumas jóias do gênero:
– A velha incapacidade de todo americano reconhecer diferenças entre o Brasil e a Argentina passou dos limites. Essa do NYT de confundir Lula com Maradona.
O lamentável de tudo isso é que recentemente o presidente Lula foi escolhido como uma das 100 maiores personalidades mundiais. Estava com a bola toda, agora até esta piada acaba de ficar ultrapassada:
– Numa viagem a Paris, Lula ganhou de Jacques Chirac um corte de tecido de altíssima qualidade. Lá mesmo procurou um alfaiate para fazer um terno. Infelizmente, disse o alfaiate, o corte era muito pequeno e não daria para fazer o paletó e a calça. Decepcionado, Lula desistiu e trouxe o tecido de volta.
Já em Brasília, voltou atrás e decidiu encomendar lá mesmo só o paletó. Qual não foi sua surpresa quando o alfaiate local disse poder fazer paletó, calça e até colete.
– Mas, companheiro, o companheiro alfaiate francês disse que o tecido mal dava pra fazer um paletó. Como você vai conseguir fazer tudo isso?
– Ah, presidente, é que no exterior o senhor é uma pessoa muito maior que aqui no Brasil.
Até domingo, com outro assunto, se Brasília assim permitir.