Para os que já conhecem, não é nenhuma novidade. Para os que ainda não tiveram o prazer de conhecer, guardem bem esse nome: Cora Rónai.
Escritora, tradutora, Cora Rónai é também editora do caderno Informática e colunista do Segundo Caderno, do jornal O Globo, do Rio de Janeiro. É vencedora do Prêmio Comunique-se de Jornalismo. Muito mais, Cora Rónai é um doce de gente que não nos sai da lembrança. Tive o prazer de conhecer a filha do grande intelectual húngaro Paulo Rónai aqui em Curitiba, na Churrascaria do Herwin, apresentada por Millôr Fernandes, e depois voltamos a nos encontrar no Rio de Janeiro, no estúdio de Millôr, onde fomos tomar um uisquinho de fim de tarde, a convite de Chico Caruso.
Guardem bem na memória o nome de Cora Rónai. De uma só penada, ela escreveu o epitáfio e enterrou o episódio Duda Mendonça & seus galinhos de briga. Publicada na edição de ontem de O Globo, é uma “Carta aberta para Duda”, com “Alguns conselhos para o Grão Marqueteiro”.
“Prezado Duda.
Sou grande admiradora do seu trabalho, assim como são todas as pessoas que viram uma simples troca de óculos transformar o Maluf numa figura respeitável. (…) Admiro também o seu desprendimento. Qualquer homem menos dedicado a seus empregadores teria tirado um tempinho, ao longo desses anos todos, para dar uma guaribada na própria imagem. Todo mundo sabe que em casa de ferreiro o espeto é de pau, mas também não precisava ser pau de galinheiro, caro Duda! Se você conseguir sair dessa, dê um tempo, esqueça a política, cuide um pouco de si mesmo. E não estou falando só da imagem, não, mas do aspecto físico também, que, como dizem as peruas na intimidade do salão de beleza, está “um lixo”. Fora de Brasília e dos sofisticados círculos das rinhas de galo, o seu filme está pra lá de queimado, acredite.
Apesar disso, entendo o seu drama. (…) Entendo como isso deve ser chocante (e inesperado!) para você, entendo também como tudo deve-lhe parecer injusto, depois de todos os serviços que você prestou ao país sem fins lucrativos. Mas a verdade é que, para as pessoas comuns, que não compartilham dos seus gostos refinados e não sabem distinguir um Romanée Conti de um Brunello de Montalcino, uma rinha de galos é uma atrocidade. Elas não conseguem entender a sua frase memorável: “Para os galos, é preferível morrer na luta do que acabar na panela”. (…) Sinceramente? Quer saber? Estão feias as coisas para o seu lado. Horríveis, mesmo. Mas, talentoso como é, você pode dar a volta por cima. Quem sabe não convence as pessoas de que, ao contrário do que imaginam, você a-d-o-r-a animais? Faça alguma coisa por eles, pode ser um primeiro passo! Estude o caso da Suipa, por exemplo, a sociedade protetora que não pode acolher os seus galos por falta de condições adequadas. Lá, um grupo de voluntários trabalha, exaustivamente, para garantir um mínimo de bem-estar a quadrúpedes que o mundo desprezou. Ora, quem cuida de quadrúpedes com amor bem pode cuidar dos seus bípedes. Procure a Suipa, Duda, com o coração – e a carteira – abertos.
Os 6.500 cães, 850 gatos e sei lá quantos outros bichos abrigados pela sociedade sobrevivem de doações feitas por particulares. Os problemas são gravíssimos, e as dívidas, enormes –mas, ainda assim, correspondentes a apenas um terço dos R$ 1,7 milhão que circulavam em apostas no seu Clube Privê.
Imagine, Duda Mendonça, que oportunidade extraordinária! Pelo módico preço de uma dúzia de galos de briga, pelo equivalente a oito caixas de vinho, você tira a Suipa do vermelho, salva a vida de uns 7.500 animais e dá aquela melhorada na imagem. Só tem um porém: é tudo rigorosamente dentro da lei.
Para adiantar a sua vida, aqui vão os dados da conta da Suipa:
Banco Itaú, Agência 0584, CC 45500-0, CNPJ 00.108.055/0001-10.
Não há de quê.
PS: Por favor, ajudem a Suipa! A situação é desesperadora. Qualquer depósito, por pequeno que seja, será de grande valia.
Até sexta-feira; e não esqueça de guardar o nome de Cora Rónai nos seus favoritos: a íntegra do texto está no endereço www.cronai.com