Em março, Curitiba vai conhecer de fato o que significa essa expressão tão relativa. Literalmente, ?um mundo de gente? está aprontando malas e idéias com destino a CWB, que vai receber mais de dez mil pessoas vindas de 188 países.

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Curitiba vai festejar o próximo aniversário, dia 29 de março, com um mundo de gente para comemorar os seus 313 anos. De 13 a 31 de março a festa vai ser grande, do tamanho de um dos mais importantes eventos mundiais. Desde julho passado a Unilivre (Universidade Livre do Meio Ambiente) está sediando a secretaria executiva preparatória da oitava conferência das partes da Convenção Sobre Diversidade Biológica – COP8 – e da terceira reunião dos países membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança – MOP3 -, promovidas pela ONU, na busca da sensibilização e do comprometimento das nações para implementação de medidas que diminuam o ritmo de perda da diversidade biológica e promovam a proteção do patrimônio genético natural.

O tema e a organização do megaevento são complicados, mas uma brava equipe, liderada por Ramiro Warhaftig, está tratando de descomplicar.

É gente que não acaba mais e precisamos nos preparar para receber esse mundo de convidados como se a recepção fosse na nossa própria sala de visitas, com todo o afeto reservado a um amigo dileto. Além dos mais de dez mil visitantes, vamos receber de 80 a 120 ministros, alguns presidentes e chefes de Estado, as mais altas autoridades da ONU, o presidente da União Européia com sua comitiva de 300 pessoas, centenas e centenas de observadores e, para reverberar a fuzarca, outro mundo de jornalistas.

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Paraná, capital Babel. No Parque Tingüi, vamos cruzar com alguns polacos de coxa branca, mas não serão os nossos da Cruz do Pilarzinho. Em Santa Felicidade, o garçom de nome Giovanni, nascido em Colombo, vai servir frango e polenta a um outro Giovanni nato em Roma. Prost! O Bar do Alemão será o consulado provisório da Alemanha e, quem se aventurar lá pelas bandas do Largo da Ordem, que traga junto um tradutor para pedir mais chope com colarinho: ?Ein bier mit viel schaum?. E os Japoneses? Bem, estes estarão em todos os lugares, fotografando desde o ?cavalo babão? do setor histórico, até o ?beco do mijo? – aquela travessa escura, nos fundos da Catedral.

Ao longo daqueles 19 dias, reuniões, debates, polêmicas e muita confusão. O Green Peace não vai deixar por menos: desde já solicitou à Prefeitura autorização para fechar uma rua, o endereço fixo de suas ruidosas manifestações pela natureza. O jacaré do Barigüi já foi informado: o Green Peace quer fazer daquele papo-amarelo um astro internacional.

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Dezenove dias, dezenove noites, com o Festival de Teatro de Curitiba correndo paralelo. Festas, muitas festas não hão de faltar. Bares e restaurantes que ponham água no feijão, caprichem na caipirinha e os músicos que tratem de afinar o bandolim, porque o samba não pode parar enquanto ainda restar um gringo acordado.

Dormir, eis a questão que está tirando o sono dos organizadores. Cama, comida e roupa lavada é o de menos. Curitiba tem como bem receber seus hóspedes. Nossa rede hoteleira é robusta e generosa: são 18.000 leitos, de uma a cinco estrelas. Não falta cama, mas falta um acordo quanto aos preços.

Quando da escolha de Curitiba para sediar o evento, existia um documento firmado entre as partes, acertando preços razoáveis para os pernoites, dentro de um padrão de 104 dólares, que é a média internacional das diárias de funcionários governamentais. Agora, assim mais que de repente, alguns hoteleiros fizeram do evento uma corrida ao ouro: estabeleceram, unilateralmente, um custo em torno de 160 dólares por apartamento. Aumentaram bem acima do que pode pagar, por exemplo, um representante da União Européia.

A organização está virando a noite em reuniões para convencer alguns hoteleiros que o combinado não é caro. E agora durma-se com um barulho desses. Um mundo gente pode ficar sem dormir. O ruído está ficando feio para a cidade.