Quarta-feira passada Arnold Schwarzenegger compareceu na coluna como tema para vários comediantes americanos que rolam de rir do governator da California, estado que “faz parte de um país atrasado, onde ainda não conhecem a urna eletrônica e o presidente deles nem mesmo sabe falar português”. Assim, pelo traiçoeiro e perigoso caminho da ironia, escrevi também que o humor americano é fina iguaria, “pra quem gosta de catichupe, pasta de amendoim e do David Letterman – aquele que imita descaradamente o Jô Soares”.
Usar da ironia é trafegar no fio da navalha. Não se sabe a face da frase que será lida, se o verso ou o reverso. Foi o que aconteceu com o leitor Franc Santos, que disparou o primeiro e-mail e provocou o curto e esclarecedor tiroteio, transcrito abaixo.
BANG! BANG! – Em sua coluna você menciona o David Letterman e diz que ele copia descaradamente o Jô Soares. Lendo pela primeira vez esta coluna, já vi que não preciso mais ler, pois seria somente perda de tempo. Deduzido isso por esse absurdo que você escreveu. O senhor Letterman está no ar, fazendo esse tipo de programa anos antes do Jô ter começado. Na verdade, esse tipo de show já existe há mais de 50 anos, sendo o seu mais famoso host Johnny Carson. Este que, quando se aposentou, na década passada, passou o Tonight Show para o Jay Leno. E os shows do Leno e do Letterman são quase idênticos. Daí você vê que quem copia é o Jô Soares. Você me parece um daqueles jornalistas que não se deve levar muito a sério. (Franc Santos)
BANG! – Franc Santos, vai lá no dicionário e veja o significado do substantivo “ironia”. Se o Aurélio não tá na mão, transcrevo: “Modo de exprimir-se que consiste em dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo, ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem”. Tua indignação está tão interessante, que imagino reproduzir na coluna de sexta-feira. Mesmo assim, continue nos lendo. Pode ser o início de uma boa amizade. Um abraço, Dante.
BANG! – Dante, boa defesa! Mas, na minha opinião, você não estava tentando ser irônico naquele trecho do texto. De qualquer maneira, eu não escrevi por indignação, foi mais por falta do que fazer, mesmo. Continue sempre em frente e que as forças do bem te protejam quanto aos chatos dos e-mails. Boa sorte, Franc.
THE END e rolam os créditos, sublinhando: mais que parecer, faço questão de ser um jornalista daqueles que não se deve levar muito a sério.
Até domingo, caro Franc e apareça sempre!