O Rio Tamanduá nasce da lagoa no centro da vila de São Luís, e do Rio dos Papagaios corre para abraçar o Rio Iguaçu. Sábado passado passamos o dia nadando rio abaixo e, depois de um carneiro assado, me acomodei na varanda da Pousada Rio Tamanduá para aquarelar a paisagem. Observem em duas delas: nas colinas ao fundo, o marrom das plantações de pinus. Chernobyl é ali, onde não entra bicho, a folhuda grama desaparece, o bosquete some de vista. Nas margens do Tamanduá, não distante das pedras que servem de trampolim para os profundos panelões de águas límpidas, o pinus é o fantasma do paraíso.
Átila era o flagelo dos deuses: onde ele pisava não nascia grama. O pinus é o Átila do ecossistema: protegido por mãos poderosas, ele expulsa o tatu, o sapo, a anta, a capivara, a jaguatirica, o macaco, e o passarinho. Peixes, só no fundo do mar. No lugar da gralha-azul que semeia araucária, o vento semeia o deserto verde além do horizonte.

Nos Campos Gerais, o paraíso está por um fio. Em breve, veremos apenas uma aquarela na parede. Mas como dói!