Pra não dizer que este escritor de almanaque não dá a maior força pro Fome Zero, peço licença aos coleguinhas Luiz Augusto Xavier e Malú Malucelli e dou umas garfadas onde eles são especialistas: à mesa, só coisa boa. Sim, pois tem muita gente que se diz mestre da mais alta gastronomia. Mas poucos são craques no quesito “só coisa boa”, do pirão ao faisão. Neste seleto time do Malu e do Xavier, também está escalado o neocuritibano Marco Dolabella, justamente orgulhoso proprietário do Bar dos Passarinhos, uma jóia rara de botequim/restaurante encravada no coração do Bigorrilho (Aliás, sabe como está sendo denominado o bairro Campo Comprido, novo endereço chique de Curitiba? CamCum – assim mesmo, pronunciando-se “cumprido”. Só que, ao contrário de Champagnat, CamCum ficou bem simpático).

Voltando ao Marco Dolabella e ao Bar dos Passarinhos, dias desses, dando uma folga pra estupenda lula da casa, experimentei uma entrada de polvo. Servida fria, é perfeita para início de noite quente. Com os amigos, na praia, mais que perfeita e sem maiores segredos. Pedi a receita e o Marco me enviou pelo e-mail. Passo adiante, copiando e colando:

Ai vai, caro dante

Em abundante água fervente, mergulhe por 3 vezes um polvo grande (aprox. 3kg) – procedimento com intervalos de +/- 40 segundos. Segue cozimento por 40 minutos, na mesma água, em fogo baixo.

Aqueça um litro de azeite de primeira (os espanhóis estão bem bons) e frite duas cabeças de alho bem laminadas. Fatie três pimentões vermelhos, já assados, descascados e sem as sementes. Por fim, misture os pedaços de polvo (+/- 10 mm). Deixe esfriar.

Quando for servir acrescente sal grosso “pilado”.

Qualquer dúvida, ligue (41) 339-7788.

Grande abraço

Dolabella

Mais coisa boa

Aproveitando da mesma tarrafada, convém registar duas boas dicas do quesito “só coisa boa”, agora descendo pra Santa Catarina.

Encontra-se na praia de Cabeçudas, antigo e tradicional reduto da família Konder/Bornhausen, entre Itajaí e Balneário Camboriú, o melhor restaurante catarinense, pode crer: o Chez Raimond. Comandado pelo mestre Raimond e sua filha Sabina, emoldurado por um belo jardim, numa colina duas quadras antes de cair no mar. De inspiração francesa, a casa não deixa por menos: frutos do mar frescos. Destaque para a caldeirada, que não consta do cardápio, mas item preferido da velha freguesia.

Dois pratos de bacalhau também brilham e, para uma noite fria com vinho tinto, servem douradas codornas com polenta. Não arrisque sem reservar mesa: (47) 348-7015 ou 348-7032.

Em Balneário Camboriú, mais “só coisa boa”: logo atrás do Hotel Marambaia, tem o Restaurante do Pedrinho. Sem a tradicional elegância do Chez Raimond, o Pedrinho faz bonito com suas postas de robalo fritas e pirão. Ou então o velho de guerra “camarão com palmito”, com receita surpreendente. Como entrada, o melhor: patas de siri-goiá. Acompanhas de molho vinagrete, suco de limão e um martelinho de madeira para a lidar com o robusto siri da pedra.

Coisa rui

Já em Florianópolis é o seguinte: uma dúzia de ostras frescas no Mercado Público, você compra por R$ 4,50. Aí você vai a um razoável restaurante local e a surpresa: as mesmas ostras, por R$ 25.

Em outras palavras, o recente sucesso subiu à cabeça de Floripa.

Até sexta-feira e, pra quem vai esticar em Antonina, tem a Caçarola do Joca: inscrita com honra no quesito “Só coisa boa”.

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