dantem2240506.jpgO presidente francês Jacques Chirac nos honra com sua visita de hoje até sexta-feira. No Palácio do Planalto, deve brindar ?a tradicional amizade entre a França e o Brasil? com champagne. Não fosse protocolarmente contraditório e irônico, Chirac poderia presentear, por aquele feliz momento, ao casal Lula da Silva com um champagne Veuve Clicquot, junto com um exemplar do livro Champagne – a história deste especial vinho que é sinônimo de amizade e momentos felizes.

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Um champagne e um livro, Jacques Chirac não poderia escolher melhor presente. Por certo seria uma contradição, o protocolo bem sabe que o presidente brasileiro costuma alimentar o espírito com bastantes líquidos e poucas, muito poucas letras. Mas, em se tratando do champagne e da Champagne – o par perfeito, no masculino é o vinho, no feminino é a região -, tudo neles é contraditório e irônico, o que dá aos nativos da região (champenois) o que um escritor chamou de ?tendência à contradição?: ?Precisa-se de um solo pobre para produzir bom champagne; usam-se uvas pretas para fazer vinho branco; o cego via estrelas; o homem que dizem ter colocado bolhas no champagne na verdade trabalhou a maior parte de sua vida para eliminá-las?.

Os autores de Champagne, Don e Petie Kladstrup (também autores de Vinho & Guerra) apontam que ?a maior de todas as ironias, entretanto, é a Champagne, onde ocorreram algumas das batalhas mais amargas da humanidade, ter sido o local de nascimento de um vinho que o mundo inteiro identifica com momentos felizes e amizade?.

Na charge, os alemães eram representados como caipiras toscos e beberrões. Perderam a Primeira Guerra de tanto tomar champagne, no Champagne.

Um champagne e um livro, não há companhia melhor. E um livro sobre o champagne, com um champagne, é ainda melhor. Afinal, o que o champagne tem? Como num toque de varinha mágica, as pessoas começam a sorrir, relaxar e até fantasiar. ?Com certeza – afirma o casal Kladstrup -, nenhum outro vinho prestou-se tanto à poesia, à arte e ao exagero.? Casanova o considerava um ?equipamento essencial à sedução?. Coco Chanel dizia que bebia o vinho da contradição somente em duas ocasiões: ?Quando estava apaixonada e quando não estava apaixonada?. Lily Bolinger, dama de uma das grandes famílias da história da Champagne, ia além do contraditório: ?Bebo champagne quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes bebo quando estou sozinha. Se estou acompanhada, considero-o obrigatório. Bebo uns golinhos quando estou com fome. Fora isso, não toco nele – a não ser, é claro, que esteja com sede?.

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O champagne sempre foi a bebida da hora em qualquer hora. Quando os autores perguntaram a Philippe Bourguignon, um dos maiores sommeliers do mundo, qual considerava o melhor horário para beber champagne, ele respondeu: ?Quando termino de cortar grama?. Joan Fontain diz, sonhadora, para Louis Jourdan, no filme Carta de uma desconhecida: ?O champagne é muito mais saboroso depois da meia-noite, você não acha??.

Oscar Wilde, quando chegou à França, disse aos funcionários da alfândega: ?Nada tenho a declarar senão o meu gênio?. Sobre o champagne, disse a que veio: ?Só as pessoas sem imaginação não conseguem encontrar um motivo para beber champagne?. Para Winston Churchill, o champagne ?tornava sua inteligência mais ágil?. De fato, durante a Primeira Guerra, Churchill usou o argumento para libertar os champenois dos invasores bebedores de cerveja: ?Lembrem-se, cavalheiros – disse -, não é só pela França que estamos lutando, é pela Champagne também!?.

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A Casa da França, quem mais vende champagne em Curitiba, e a Livrarias Curitiba, quem mais vende livros na cidade, deveriam formar parceria: junto com o champagne (Veuve Clicquot – R$ 150,00), o livro. Junto com o livro (Champagne, 223 páginas, Jorge Zahar Editor – R$ 28,90), o champagne. Um par perfeito, um presente perfeito – com as bênçãos do monge Dom Pérignon e Santa Helena, a padroeira do vinho.


Tropas francesas marcham pelas vinhas a caminho
do front, em 1914.