Não precisa ser nenhum experiente marqueteiro para constatar que o Zé Serra pisou na aspirina ao batizar sua principal arma de campanha de “Projeto segunda-feira”.
Pode pesquisar: nove entre dez brasileiros odeiam a segunda-feira. Segunda-feira, todo mundo sabe, só consegue ser pior que um domingo à noite, no horário do Fantástico. Especialmente quando o nosso time perde, como foi o caso deste último, uma tortura para os atleticanos.
Segunda-feira, dizem os mais velhos e supersticiosos, é dia para se esquecer: nenhuma decisão deve ser tomada, nenhum novo projeto iniciado,não se deve contrair dívidas, muito menos assumir um novo emprego.
Alguns estudiosos da bíblia até afirmam que o mundo poderia ser bem melhor e mais justo, caso o Criador tivesse iniciado seus trabalhos numa terça-feira, por exemplo. Assim, Ele teria descansado na segunda e nós, mortais, teríamos eternos fins de semana prolongados.
Na segunda-feira, diz a bíblia, nem o Todo Poderoso tem inspiração: “Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. E Deus disse: Exista a luz. E a luz existiu. E Deus viu que a luz era boa; e separou a luz das trevas. E chamou à luz dia, e às trevas noite. E fez-se tarde e manhã. E foi o primeiro dia.”
Portanto, na segunda-feira, Deus tratou de criar o expediente, o relógio ponto, a hora de dormir, a hora de acordar e levar as crianças pro colégio.
Nos dias seguintes, bem mais inspirado, o Criador só tratou de coisa boa. Criou o firmamento, os mares, a terra, e disse: “Produza a terra erva verde, e que dê semente, e árvores frutíferas, que dêem fruto segundo a sua espécie.”
Em suma, na segunda-feira Deus criou esse mundo cruel. Nos dias seguintes, o paraíso.
E foi assim que o Serra se ferrou, quando lembrou que segunda-feira é dia de trabalhar, vagabundo!
Sociais
Enquanto a tigrada se atraca nas esquinas, distribuindo santinhos em troca de um prato de comida, as estrelas do espetáculo deste próximo domingo se regalam nos bastidores. Pinçadas das colunas de vários jornais, as agruras de uma campanha eleitoral.
– Domingo, a sete dias da eleição, Ciro Gomes e Patrícia Pillar almoçaram a dois no Satyricon. Sem puxa-sacos por perto, sumiram de repente, pediram um “gran piatto di mare” e uma “fantasia di mare griliata”, para duas pessoas. Beberam prosecco Pisani Doc Venetto.
Ciro fumou um maço de cigarros durante o almoço.
– Enquanto isso, Lulinha Paz e Amor sobe nas pesquisas e também na balança. Sábado à noite, ele, a mulher Marisa e o vice José Alencar comeram para valer num jantar servido em Belo Horizonte, pela mãe de Frei Betto, Dona Stella, quituteira famosa.
Já era tarde, mas Lula traçou canjiquinha, carne de porco, tutu, lingüiça, couve e, na sobremesa, doce de mamão, doce de leite, doce de casca de lima e queijo.
Para rebater, porque não é de ferro, tomou vinho.
– Também em Belo Horizonte, FHC pediu doces e comida mineira no almoço da conciliação com Itamar Franco, no Palácio das Mangabeiras. O governador, fiel à tradição de hospitalidade de Minas, atendeu ao pedido.
Pouquíssimos convidados: Aécio Neves acompanhado da irmã, Andréa, e do pai, Aécio Cunha, grande amigo de Itamar. Couve fresquinha colhida no dia, tudo preparado pela cozinheira Raimunda…
Até sexta-feira, dia em que Ele não criou a Eva, mas já estava pensando no assunto.