Secos e congelados

Da natureza nada se perde, tudo se transforma em lucros. Anorexia é uma doença que até uma candidata a modelo da Ford Models sabe do que se trata: um distúrbio alimentar de natureza psicológica, quando a pessoa não se alimenta e tem ojeriza a comida. Atinge 20% das adolescentes em todo o mundo, a maioria belas garotas de classe média e alta, que ficam extremamente magras, mas insistem que não estão doentes, apenas sem apetite. E quanto mais secas, mais elas descobrem excessos de gordurinhas na barriguinha, no culote e bochechas. E tome regime.

É uma doença, mas gera lucros. O anoréxico pode não gastar um tostão no supermercado, mas, com mania de magreza, torra uma grana gorda nas academias de ginástica. Isso enquanto ainda têm forças para se manter em pé. O culto à magreza faz também a fortuna das agências de modelos, meca de belas magrelas louras e falsas louras.

Nem os anoréxicos escapam das novidades que prometem lucros. Está sendo inaugurado em Berlim o primeiro restaurante do mundo para anoréxicos e bulímicos. Com 50 mesas, tem um chefe de cozinha anoréxico e as garçonetes são bulímicas: ao contrário da anoréxica, a pessoa que sofre de bulimia ingere quantidades enormes de alimentos, principalmente doces, e depois vomita ou abusa de laxantes. Uma garota que sofre de bulimia tem comportamento social, afetivo e profissional normal, mas pode ser bulímica sem que você perceba.

“Nostalgia” é o nome do restaurante para anoréxicos e será gerenciado por uma mulher especializada no gênero: sofreu por 15 anos de distúrbios alimentares e agora descobriu que os prazeres da mesa não fazem mal a ninguém. Katja Eichbaun, 32 anos, nascida em Berlim, quase chegou à morte. Saída de sua dolorosa experiência, ela quer passar aos anoréxicos o simples reencontro com um bom prato, para as pessoas que ainda guardam no fundo da memória a nostalgia de um jantar com muita alegria.

O nome dos pratos no cardápio foram cuidadosamente escolhidos, para incentivar o rito de se alimentar. Por exemplo, “Fome de lobo”: carne de ovelha, para relembrar na alma um apetite jamais apagado de sua natureza. Com a assistência de um nutricionista, o prato fica em torno de 10 euros. Não é caro, pois Katja sabe o quanto lhe custou a doença: “Eu quero viver e quero fazer tornar aos anoréxicos o desejo de comer, e bem. Eles devem vir ao restaurante Nostalgia para provar e reencontrar os prazeres da mesa”.

Berlim é uma cidade onde não faltam novidades. Especialmente bares e restaurantes, mas um psicólogo e especialista em anorexia também tem dúvidas quanto ao sucesso da iniciativa: “Normalmente as terapias normais falham; e se os anoréxicos conseguem reaprender que comer é um prazer, um restaurante assim pode não ser maravilhoso.”

Mas não só em Berlim as agruras da natureza proporcionam lucros. Acaba de ser inaugurado no hemisfério Norte um bar todo de gelo. Paredes, pavimentos, o balcão em gelo, como também mesas e cadeiras. Garçons de casacos de pele servem os drinques dentro de copos também de gelo. No teto, a iluminação em forma de estalactites e, em torno, frias luzes azuis. E faz frio, onde tudo é mantido com a temperatura de cinco graus abaixo de zero. Mas não é o Pólo Norte.

É o bar-iglu Absolut Ice Bar, inaugurado na semana passada em Milão, norte da Itália, na Piazza Gerusaleme. É o segundo no mundo, depois de um outro similar em Estocolmo, capital da Suécia, também realizado totalmente em gelo puríssimo que chega diretamente das águas do Rio Torne. (Informação cultural: quem nasce em Estocolmo é “holmiense”, porque os romanos chamavam Estocolmo de Holmos).

São bares onde uma “loura gelada” não deve custar pouco. Toda a decoração, móveis e utensílios, são renovados em cada estação, em vista da fragilidade da matéria-prima e, é inútil dizer, o custo é milionário.

Até sexta-feira e, aliás, sabe o mais recente apelido de falsas louras? Táxi argentino: amarelo em cima, preto em baixo.

Grupos de WhatsApp da Tribuna
Receba Notícias no seu WhatsApp!
Receba as notícias do seu bairro e do seu time pelo WhatsApp.
Participe dos Grupos da Tribuna