Sea-Shore: Alvará para matar!

(Sinopse para filme de guerra e espionagem, futura produção da Miramax com grandes possibilidades de Oscar.)

Al Miqdãdiyah, a algumas milhas pra lá de Bagdá e em meio a uma tempestade de areia, um jato da marinha americana prepara-se para decolar. O piloto comunica ao comando das forças aliadas no Kuwait:

– Câmbio, Touro Sentado: agente Sea-Shore retornando ao Rio de Janeiro! Câmbio!

Corta para um local secreto em Washington, reunião do alto comando da CIA com generais do Pentágono.

– Senhores, temos ordem do presidente para eliminar Saddam Hussein antes do primeiro mariner botar o coturno em Bagdá. Segundo a CNN, se enfrentarmos os inimigos dentro do perímetro urbano, a guerra não termina. Eis o plano: vamos plantar um poderoso agente dentro das forças inimigas, com a missão de desmoralizar a segurança iraquiana e eliminar o ditador com a ajuda das próprias autoridades de Bagdá.

– Esse agente seria fornecido pela Inglaterra? Seria o próprio James Bond?

– Absolutamente. Temos um agente bem mais poderoso no Brasil: o terrível Fernandinho Sea-Shore.

Brasília, churrasco na Granja do Torto. O presidente Lula explica ao ministro da Justiça:

– Companheiro Thomaz Bastos, no que nos compete, o plano da CIA é simples: a gente faz que manda o Beira-Mar para uma prisão lá no cafundó da Amazônia, mas não manda. Ele vai, mas não vai. Um jatinho da marinha americana, camuflado de sucatão da FAB, pega Beira-Mar em São Paulo e leva o cabra da peste direto pra Bagdá. Daí pra frente, deixa com os gringos. Só sei que eles prometem devolver a encrenca em menos de duas semanas.

– A gente empresta e eles ainda vão devolver? É muita sacanagem, presidente!

Corta para o meio do Atlântico. A bordo do jato da marinha americana, um agente do alto comando da CIA explica detalhes da operação:

– Agente Sea-Shore, sua missão é a seguinte: entrar em Bagdá junto com pacifistas de Portugal que se ofereceram para servir de escudos humanos. Aqui está o passaporte português fajuto. Enquanto isso, nossos espiões em Bagdá fazem circular a informação de que um poderoso narcotraficante português estará infiltrado entre os pacifistas, com a identidade de Joaquim Manoel Filho. Óbvio, você será imediatamente preso pela polícia iraquiana e encaminhado a uma cadeia no centro de Bagdá. No interrogatório, as respostas de sempre: quero uma advogada e coisa e tal. Passo seguinte, a velha tática da contravenção carioca: com celular e outras mordomias, você vai desmoralizar a segurança iraquiana, criando, dentro da prisão, um comando vermelho com a missão de matar imediatamente o Saddam Hussein. E aqui estão as armas para eliminar o ditador: 500 milhões de dólares! Suficientes para subornar autoridades e policiais de Bagdá. Uma pechincha, perto do que vamos gastar, caso a missão não dê certo.

– Bem lembrado: caso não dê certo, como é que eu fico?

– Tem o plano B: a polícia federal brasileira vai tentar trazer você de volta.

– E se tudo sair nos conformes?

– Um jato da nossa marinha estará pronto para decolar, em Al Miqdãdiyah, um pouco pra lá de Bagdá, com destino ao Rio de Janeiro!

– E a minha recompensa?

– Sua transferência para uma cadeia em Copacabana. É mole, ou quer mais?

Brasília, churrasco na Granja do Torto. O presidente Lula comunica ao ministro da Justiça:

– Companheiro Thomaz Bastos, um jato da marinha americana acaba de aterrissar na Base Aérea do Galeão, com Fernandinho Beira-Mar a bordo, são e salvo!

– A gente empresta e eles ainda devolvem? É muita sacanagem, presidente!

Até sexta-feira, ou até o Oscar de 2004!

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