O Brasil caiu pelas tabelas, despencou sete posições no campeonato mundial do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH. Estamos perdendo até para o Panamá, que, como todo mundo sabe, é um panamá. Entretanto, o que nos causa maior dor-de-cotovelo é que estamos atrás do Uruguai e da Argentina. Da Ar-gen-ti-na, torcida brasileira! E na quarta-feira perdemos para o Paraguai por 2×1, no gramado; no relatório da ONU ganhamos de 72×89.

No desfile das nações, o Brasil foi derrubado no quesito analfabetismo. Ficamos bem colocados nos quesitos mestre-sala e porta-bandeira, depois da viagem à China, e alegorias, graças ao carnavalesco Duda Mendonça. Ficamos feios no retrato no quesito evolução, mas esperem pra ver: em dezembro, Lula recebe o airbus e aí ninguém mais nos segura. Mr. Da Silva vai evoluir mundo afora em igualdade de condições com a Noruega, a campeoníssima do IDH.

Aliás, esse airbus de R$ 159,4 milhões não é um avião de batalha, mas já provocou uma guerra no Sul: o governo trocou a verba de duplicação da BR-101 Sul pela compra do novo jato presidencial. O Congresso Nacional, avalizado pelo Palácio do Planalto, cortou R$ 160 milhões dos R$ 820 milhões previstos no Plano Plurianual (PPA) para a duplicação do trecho Sul da principal rodovia federal entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. Sumiram a verba e a promessa e os sulistas perguntam o que é mais importante: a duplicação da BR-101, onde morrem centenas e centenas de pessoas, ou um novo avião para a corte?

É a herança maldita do Lula: se não é o FH, é o IDH. Uma coisa ou outra, não importa. O que importa é que estamos levando uma tunda da Argentina nesse departamento de vida boa, sombra, água tratada na geladeira, boas leituras e dinheiro no bolso. Apesar da crise do Maradona, a Argentina continua sendo; cada vez mais prosa e arrogante, com razão. Como desgraça pouca é bobagem, devemos seguir a receita do Lula: paciência de cágado (atenção para o acento, revisão).

E de meia em meia hora, uma piada de argentino para desopilar o fígado: um francês, um argentino e um brasileiro estão visitando a Arábia Saudita, e resolvem tomar umas doses de uísque, quando a polícia aparece e os prende. A simples posse de bebida alcoólica é uma ofensa grave na Arábia Saudita e os três são sentenciados à morte, num julgamento sumário.

Entretanto, após vários meses e com a ajuda de bons advogados, eles conseguem que a sentença de morte seja transformada em prisão perpétua. Por um capricho da sorte, no aniversário da Arábia Saudita, o benevolente sheik resolve abrandar ainda mais a pena e decreta que os mesmos poderão ser soltos após receber 20 chibatadas cada. Quando eles estão se preparando para a punição, o sheik anuncia:

– Hoje é aniversário de minha esposa, e ela me pediu para permitir a cada um de vocês um desejo antes da punição.

O francês foi o primeiro da fila, pensou um pouco e pediu:

– Por favor, amarrem dois travesseiros nas minhas costas.

– Assim foi feito, mas os travesseiros só duraram 10 chibatadas antes de completar a punição e quando tudo terminou ele teve que ser carregado sangrando e com muita dor.

O argentino viu o que tinha acontecido e, sendo o segundo, pediu:

– Por favor, amarrem quatro travesseiros nas minhas costas.

Porém, mesmo assim, após 15 chibatadas os travesseiros não suportaram e o argentino foi levado sangrando e maldizendo o acontecido.

O brasileiro foi o último e, antes que pudesse dizer o seu pedido, foi interrompido pelo sheik:

– Você é um de um país belíssimo, do futebol e das mulatas. Eu adoro o Brasil, e vou lhe agraciar com dois pedidos antes da punição.

– Obrigado, alteza – disse o brasileiro. Em reconhecimento à sua bondade, meu primeiro desejo é que eu receba 100 chibatadas e não 20 como previsto, pois eu me sinto culpado pelo ocorrido.

Ao que o sheik respondeu:

– Além de ser um homem honrado e gentil, o senhor também é um homem corajoso. Que assim seja! E qual é o seu segundo pedido?

– Quero que amarrem o argentino às minhas costas.

Até domingo, Ulisses Iarochinski; e obrigado pela versão do botecário para o polaco.

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