Santo da casa faz milagre

Cem milhões de reais é a dívida do PT. Fora o descrédito e os débitos junto ao povo brasileiro. É ?recurso não contabilizado? que não acaba mais. Para ser pago, só mesmo um milagre, com a intercessão de Edwiges, a santa libertária.

Edwiges de Andech passou a vida lutando por justiça e paz. Nasceu em 1174, no sul da Alemanha, mas ganhou fama na Polônia. Casou-se aos 12 anos com o jovem príncipe Henrique I, da Silésia. Era nobre, bela e rica. Muito rica. Tanto tinha que distribuía aos pobres. Com esses santos predicados, santa Edwiges não só pode dar uma bela ajuda às finanças do PT, como também tem feitio para ser entronizada padroeira do partido. Mas não esse que agora se esvai, esse que tira dos pobres para dar aos banqueiros, deputados da base aliada e correligionários graduados. Seria padroeira de um reciclado PT, aquele do Henfil, onde a Edwiges contemporânea estaria filiada.

Esse sórdido inquérito do PT é uma história de poder e deslumbramento, o caminho da humildade à soberba. O reverso da vida de Edwiges de Andech, a padroeira da Polônia canonizada em 1267, 24 anos depois de sua morte. Edwiges, a Santa Libertária é o livro que o curitibano Toninho Vaz está lançando nesta polaca Curitiba, narrando a atmosfera da Idade Média, com seus burgos, cavaleiros e guerras, onde a população só conhecia a violência e a fome, mas teve sua recompensa na vasta obra social da nobre mulher que se tornou um símbolo de compaixão e solidariedade.

Esse é o terceiro livro da coleção sobre santos da Editora Objetiva, que teve a felicidade de encontrar um legítimo autor para essa obra: o jornalista Antônio Martins Vaz. Nascido em Curitiba, Toninho Vaz passou parte da vida entre polacos devotos de Edwiges. Especialmente no Pilarzinho, onde morava Paulo Leminski, de quem Vaz foi amigo e depois biógrafo em o Bandido que sabia latim. Nosso poeta, ficou provado, não devia a nenhum outro poeta, mas foi a ele que Toninho Vaz dedicou a saga de Edwiges: ?Para o poeta Paulo Leminski (1944-1989), o Polaco, que me ensinou o caminho das letras?.

Ex-repórter da revista IstoÉ, Jornal do Brasil e durante 14 anos editor de texto da Rede Globo, o querido amigo Toninho Vaz pouco vem a Curitiba. Mas, quando vem, nos traz bonitos presentes. Desta feita, presente duplo: além de Edwiges, a Santa Libertária, nos regala também com Pra mim chega, a biografia do poeta Torquato Neto. Nascido no Piauí, Torquato foi um dos personagens da revolução que mudou os rumos da cultura brasileira, junto com Glauber Rocha, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros ícones dos anos 60s. Era um herói romântico, poeta sensível, polemista, autor de belos versos da MPB que entrou no banheiro, abriu o gás e morreu jovem.

Toninho Vaz partiu de Curitiba para o Rio de Janeiro em 1974, pouco depois de criar e editar o jornal alternativo Scaps, ao lado de Rettamozo, um marco da imprensa paranaense por seu primor gráfico e excelência editorial. Aqui deixou uma legião de amigos e uma banda de rock, A Chave. Na Casa Branca do Alto das Mercês, o reino encantado daqueles roqueiros, o instrumento de Toninho Vaz era uma máquina de escrever. Ao lado de Leminski, botava no papel o imaginário poético daquela geração reprimida e rebelde dos anos 70s que nesta semana teve duplo encontro marcado com o autor, na Livraria Ghignone da Rua Comendador Araújo: terça-feira passada lançou Edwiges, a Santa Libertária (Editora Objetiva, 108 páginas) e, na noite de hoje, a partir das 18 horas, vai nos autografar Pra mim chega, a biografia do poeta Torquato Neto (Editora Casa Amarela, 235 páginas).

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