São Nicolau, ou Santa Klaus, celebrizou-se por sua dedicação e sincera bondade que o levaram a fazer milagres, tanto em vida como após a morte.
O bom velhinho nasceu na Ásia Menor, no século III. É um dos santos mais populares da cristandade. O culto a ele é baseado na sua inesgotável generosidade, sobretudo com as ?crianças bem comportadas?, no dia 25 de dezembro. Mas nem sempre foi assim. Era uma vez os pais presenteavam seus filhos no dia 6 de dezembro, data da sua festa litúrgica. São Nicolau mandava os presentes do céu.
Esse costume surgiu na Idade Média, quando um servo saia às ruas distribuindo presentes às crianças. Deve ter sido coisa dos então embrionários costumes capitalistas, porque essa tradição de presentear as crianças no dia de sua festa lentamente foi sendo transferida para o dia 25 de dezembro. Isso ocorreu na Inglaterra durante o reinado de Henrique VIII, que se desentendeu com o papa devido ao seu novo casamento e rompeu relações religiosas com Roma. Com isso, a Inglaterra passou a ter seus próprios costumes nos festejos da cristandade e um deles foi a transferência das entregas de presentes do dia 6 para o dia de Natal, 25 de dezembro. O resto da Europa, que nunca engoliu os costumes e a culinária inglesa, continuou a festejar a data no dia 6 e esse hábito foi levado pelos holandeses para a América do Norte, quando fundaram a Nova Amsterdã. Entretanto, com a conquista da Nova Amsterdã pelos puritanos ingleses, ?a ilha no coração do mundo? tomou o nome de Nova York, para bajular o Conde de York. Depois que chegou a Wall Street, São Nicolau virou Papai Noel e nunca mais foi o mesmo.
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Antes de chegar a Nova York, convenhamos, não existia esta epidemia mundial chamada stress pré-natalino. Quando os antigos começavam a distribuir seus presentes desde o dia 6 de dezembro, eram felizes e não sabiam. Comprava-se em suaves prestações e distribuía-se em suaves prestações, sem correrias e sem o ?madrugadão?, como ocorreu agora em Curitiba. Coitado de São Nicolau. Não dormiu de sexta para sábado e nestas alturas do calendário deve estar descansando em alguma praia de Santa Catarina.
Junto com a tendência ?retrô?, que volta e meia ataca a humanidade, o costume de presentear no dia 6 de dezembro também está voltando. Neste Natal, ganhamos dois belos presentes já no início de dezembro: levados pela mão de São Nicolau, fomos assistir o documentário ?Vinícius de Moraes?, na tela grande do Shopping Crystal. Santa Claus tem bom gosto. Um belo presente, este filme de Miguel Faria Júnior, contando a vida do injustamente chamado ?poetinha?. Poetaço, isso sim, porque ele foi mortal, posto que era chama; e infinito, porque sempre vai ficar na nossa memória.
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Quem também ganhou presente de Natal antecipado foi o litoral catarinense. Recebeu de São Nicolau a presença da modelo Gisele Bündchen, embrulhada num ?biquinininho?. A modelo, o namorado surfista e as amigas tomam banho de sol, jogam frescobol e passeiam de lancha e jet-ski em Governador Celso Ramos, ao norte da Ilha de Floripa. Gisele está na casa do Guga Kuerten, em um condomínio fechado, com restaurante e ancoradouro exclusivos, na praia de Figueira, entre a Armação da Piedade e a Praia das Cordas. A formosa deve passar as festas de fim de ano no litoral catarinense com a família e o substituto de Leonardo di Caprio.
Coitada da Bündchen! Na internet, já se anuncia uma caça à modelo: ?Se você fotografou Gisele Bündchen em Santa Catarina, envie sua foto?.
Junto com Gisele, quem também estará dando o ar de sua graça nas festas de virada do ano na orla catarina é o governador Roberto Requião (Camboriú) e o prefeito Beto Richa (Porto Beto).
Me aguardem, ainda vou fotografar os quatro juntos: Santa Klaus, Bündchen, Requião e Beto Richa, todos a bordo do iate de Guga Kuerten.