Presidente novo, piada nova. Ou mesmo piada velha, adaptada para o poderoso da hora. Historicamente, o brasileiro sempre criou anedotas com seus presidentes. Getúlio Vargas foi o campeão. Não só tinha uma bela coleção no currículo, como também colecionava e incentivava a divulgação dos chistes. No Estado Novo, uma ditadura risonha e franca, ia pra cadeia o autor de teatro de revista que não incluísse no roteiro a última do baixinho.

Outro baixinho vítima do humor popular foi o presidente Eurico Gaspar Dutra, eleito em 1945, que no folclore político era considerado perfeitamente burro. E a burrice era o mote invariável de todas as piadas envolvendo o presidente que proibiu o jogo no Brasil, por ordem da primeira -dama, dona Carmela Dutra, também conhecida como dona Santinha, por sinal nome de rua em Curitiba.

Uma delas era modelo. Contava que o marechal Dutra saiu com seus assessores para vistoriar obras rodoviárias, quando encontrou uma placa na beira da estrada:

EM OBRAS.

Imediatamente Dutra comentou, todo gabola:

– Essa EMOBRAS é o orgulho da nação!!!

Outra do Dutra foi quando da recepção ao presidente americano Henry Truman, em visita ao Brasil, no pós-guerra. No aeroporto de Recife, Dutra estende a mão e é cumprimentado pelo presidente americano:

– How do you do, Dutra?

Dutra responde no ato:

– How tru you tru, Truman?

No tempo do Jânio também não faltaram motes pra tantas piadas – de bêbados e loucos. No tempo da ditadura, as piadas circulavam nas sombras e eram sussurradas.

Caso Lula confirme sua vitória neste segundo turno, pode preparar o fígado: vão rolar piadas sobre o “sapo barbudo”, o presidente humilde e sem diploma.

Uma delas já é velha. Conta do dia em que Lula adentra pela primeira vez ao Palácio Alvorada, ao lado da esposa Marisa. Os dois percorrem os corredores, extasiados com a soberba arquitetura de Niemeyer, quando Marisa aponta para as imensas janelas envidraçadas e comenta, ressabiada:

– Lula, eu é que não vou lavar tanta vidraça!

Agora mesmo, na internet, está circulando o Dicionário do Lula, feito, segundo os remetentes, para já ir treinando para a era Lulinha paz e amor. Eis alguns dos termos:

Alopatia – Dar um telefonema para a tia / Abreviatura – Ato de se abrir um carro de polícia / Açucareiro – Revendedor de açúcar que vende acima da tabela / Bacanal – Reunião de bacanas / Barbicha – Boteco para gays / Caatinga – Cheiro ruim / Cálice – Ordem para ficar calado / Caminhão – Estrada muito grande / Depressão – Espécie de panela angustiante / Destilado – Aquele que não está do lado de lá / Detergente – Ato de prender indivíduos suspeitos / Determina – Prender uma moça / Esfera – Animal feroz amansado / Evento – Constatação de que realmente é vento, e não furacão / Exótico – Algo que deixou de ser ótico, passou a ser olfativo ou auditivo / Genitália – Órgão reprodutor dos italianos / Homossexual – Sabão utilizado para lavar as partes íntimas / Novamente – Diz-se de indivíduos que renovam a sua maneira de pensar / Obscuro – “OB” na cor preta / Quartzo -Partze ou aposentzo de um apartamentzo / Razão – Lago muito extenso, porém, pouco profundo / Rodapé – Aquele que tinha carro, agora, roda a pé / Sexólogo – Sexo apressado / Simpatia – Concordância com a irmã da mãe / Talento – Característica de alguma coisa devagar / Trigal – Cantora baiana multiplicada por 3 / Unção – Erro de concordância muito freqüente (o correto seria: um é) / Volátil – Sobrinho avisando aonde vai / Zoológico – Reunião de animais racionais.

Até quarta-feira, com um chiste dos tempos da ditadura, envolvendo Ernesto Geisel e Jimmy Carter, o novo Prêmio Nobel da Paz.

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