Para analisar o futuro do novo governo e a crise financeira internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou todos os governadores brasileiros para uma importante e sigilosa reunião. Também para anunciar drásticos cortes nos investimentos e a manutenção da política econômica do governo anterior, o local da reunião não podia ser mais propício: o inferno.
Na casa do satanás, estavam presentes não só os governadores, como também todos os ministros, secretários, funcionários do Banco Central, até o Jorge Samek bateu ponto. Apesar do poderoso calor local, a reunião não tinha folga nem mesmo para um churrasco de javali, ou uma peladinha no campo do belzebu.
Lá pelas tantas, o governador Roberto Requião tentava falar com o Paraná, pelo celular, quando um funcionário do cerimonial alertou: dadas as condições atmosféricas do inferno, a única forma de se comunicar com o Paraná seria através de um telefone fixo e localizado na sala do diabo. E teria que pagar uma taxa especial ao demônio. Assim, e como a situação no Paraná também parecia coisa do diabo, Requião se ausenta da reunião e vai até o diabo solicitar uma ligação para Curitiba.
Concedida a chamada, Requião fala com o Palácio Iguaçu durante 10 minutos. Ao terminar, o diabo apresenta a conta da chamada: 100 mil dólares.
Requião quase teve um faniquito. Ameaçou um escândalo internacional, até convocar uma CPI dos infernos, diante desse achaque do capeta.
Mas o diabo foi convincente:
– Tá certo que o preço é deveras exorbitante. Mas uma coisa eu garanto: aqui nem o ACM grampeia a linha.
Requião puxou de um cartão de crédito, liquidou a fatura e até saiu agradecendo.
Sabendo do único telefone disponível, foi a vez do governador Aécio Neves se dirigir ao gabinete do demônio, pois o mineirinho precisava confirmar urgente a megafesta que ia acontecer no dia seguinte em Ipanema. Aécio foi rápido: falou cinco minutinhos e diabo apresentou uma conta de 50 mil dólares. Pagou com um cheque do Itamar e não reclamou nem um uai!
A infernal reunião do Lula ia pra mais da metade, quando a governadora Rosinha abandona o plenário, esbaforida, atrás de um telefone. Ao ser informada por Requião do exclusivo telefone do diabo e do absurdo preço da ligação, ela nem titubeia:
– Pago até um milhão de silveirinhas, mas preciso falar com o meu Garotinho urgentemente.
Rosinha ficou grudada ao telefone durante 30 minutos, numa longa e nervosa conversa que intrigou até o próprio diabo. Quando terminou, o capeta apresentou a conta: dois dólares.
Perplexa, a governadora carioca nem acreditou. Por muito menos tempo, Requião e Aécio tinham acabado de pagar uma fortuna dos infernos pela conexão.
– Senhor diabo, insistiu Rosinha -, por que é tão barato falar com o Rio de Janeiro?
O demônio então explicou:
– De inferno a inferno, é uma ligação local!
Até domingo, na maior folia, como o diabo gosta.