Quando perdi para mim mesmo

No tempo dos Gonçalves – do Nelson e da Dercy Gonçalves – , quando a qualidade da televisão brasileira dependia do Bombril na antena, as emissoras de televisão de Curitiba eram simplesmente o Canal 6, Canal 4 e Canal 12, e o Chacrinha do Paraná tinha o nome de Mário Vendramel.  

Quem chegou a comprar uma tevê nas Lojas HM (Hermes Macedo) há de se lembrar do apresentador que acaba de ganhar um documentário que recupera sua trajetória no rádio e televisão: “Mário Vendramel – 35 anos no ar”, de Tatiana Escosteguy.

Tirando o bigode, Ratinho e Vendramel tinham tudo em comum. Inclusive na origem, pois os dois vieram do interior do Paraná. Ratinho foi a bola da vez, mas se não fosse por um acidente de percurso, Mário Vendramel – talvez, quem sabe? – poderia ter sido o ungido do mercado para atender os emergentes do Real. Em 1979, procurado por uma emissora paulista para comandar um programa em rede nacional, o nosso Chacrinha foi a São Paulo para acertar o contrato. Na volta, um acidente na BR-116 o deixou fora do ar e dos planos de fortuna.  

Naqueles idos de 1979, quando eu era praticamente o único caricaturista em atividade na imprensa do Paraná, fui convidado para participar do Mário Vendramel como representante de uma equipe de gincana que tinha a tarefa de fazer a caricatura de um dos jurados durante o transcorrer do programa. Como a outra equipe da gincana não conseguiu nenhum outro caricaturista, a produção do programa me pediu para fazer tudo em dobro, fora do ar, disfarçando apenas o traço e assinando o replicado com outro nome.

Mesmo a contragosto, dito e feito, desenhei o radialista Mário Celso de um jeito e de outro. Num assinei assim e no outro assinei assado. As duas caricaturas foram às mãos dos jurados, cada um lançando sua nota sobre os dois trabalhos. Sete para mim e sete para o outro; oito pra mim e oito e meio para o outro; seis pra mim e nove para o outro; até que noves fora, depois de muito bate-boca, os senhores jurados do Programa Mário Vendramel chegaram ao veredicto final: eu perdi para mim mesmo!

Depois dessa experiência, cheguei à conclusão que os jurados do Mário Vendramel não eram lá essas coisas. Bem melhores eram as Vendrametes rebolando no palco.

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