Horácio Braun prevê o futuro com o mesmo método e inspiração de um antigo cartomante e mestre cervejeiro alemão que viveu no século 16, em Heidelberg. Nesta segunda parte de suas previsões para 2006, o último dos cabalistas nos conta que o próximo ano há de nos ser leve. Porque este que bate em retirada não podia ser pior.
JUNHO – Pergunta: Junho é temporada de quadrilhas. A Polícia Federal reserva algumas surpresas para o Paraná?
Horácio Braun: Para o Paraná, as tampinhas não vêem nada, além de uma velha Kombi estacionada na Vila Capanema. Mas para o Coritiba Futebol Clube, está escrito: deve ocorrer uma grande apreensão de drogas no Couto Pereira, porque não vai ser fácil Giovani Gionédis montar um time decente, com toda crise rondando o Alto da Glória.
JULHO – Pergunta: Vai nevar em Curitiba no dia 17 de julho?
Horácio Braun: É bem provável. Num ano eleitoral, pode acontecer qualquer coisa. Fenômenos que até Deus duvida. Para ilustrar, certa vez um cientista confessou a um amigo que estava escrevendo um diário, só para a informação de Deus. ?Você não acha que Deus sabe de tudo??, retrucou o amigo. ?Sim – respondeu o cientista – ele sabe dos fatos, mas não desta versão dos fatos!?.
Portanto, nada é impossível e tudo vai depender das coligações climáticas. Se a temperatura cair bastante e chover nos jardins do Palácio Iguaçu, com o prefeito Beto Richa no mesmo guarda-chuva de Roberto Requião, deve nevar inclusive em Londrina, Cambé, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu.
AGOSTO – Pergunta: Agosto faz parte do calendário federal, porque desgraça pouca é bobagem. Como sempre, teremos outro agosto de cachorro louco?
Horácio Braun: Em junho do ano passado, o presidente Lula estava comemorando, numa festa junina de arromba, a maior colheita de milho da história da Granja do Torto, e se auto-proclamava o salvador da lavoura. Virou julho e, em agosto, o rei da paçoca já estava dando milho pra bicicleta.
SETEMBRO – Pergunta: Quando setembro vier, as pesquisas já estarão apontando o virtual presidente da República?
Horácio Braun: Eis aí uma questão que requer inspiração dupla. Com licença, vou jogar mais 12 tampinhas de cerveja sobre a mesa e, depois de beber todas as 12 garrafas, vou tentar ouvir a voz do povo na terceira pessoa do plural do futuro do pretérito.
Pela posição das tampinhas de cerveja, e pela espessura e tonalidade da espuma no copo, o povo até ?votariam? no Lula. Porém, o verbo é condicional e os eleitores vão julgar o governo pelo discurso pretérito: baixariam juros, fariam reformas, inaugurariam estradas, implantariam obras de infra-estrutura, realizariam promessas, teriam ética.
Por falar em futuro do pretérito, será que os amigos gostariam de uma outra panelada de camarões abissais?
OUTUBRO – Pergunta: registre-se que a frase é da artista plástica Iara Teixeira, filha do grande Nireu Teixeira: ?Deus não vota, mas vigia!?. Então, segundo o que dizem as tampinhas de garrafa, abertas as urnas eletrônicas no dia 3 de outubro, Lula será conjugado com um verbo qualquer do passado?
Horácio Braun: Quem sou eu? Se a filha do Nireu Teixeira falou, é a porta-voz da sabedoria. E até as tampinhas de garrafa hão de concordar.
NOVEMBRO – Pergunta: Não teremos segundo turno?
Horácio Braun: Sem caixa 2, sem valerioduto, só teremos segundo turno se o PT anunciar sua auto-suficiência em petróleo. No mais, tudo volta à velha rotina de sempre e quinhentos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vão ocupar a praça de pedágio da concessionária Rodovias das Cataratas, em Cascavel; a escolinha do professor Requião realizará seu grande baile de formatura no Clube Curitibano, com a orquestra do maestro Orlando Pessuti; Beto Richa vai inaugurar uma passarela entre o Palácio 29 de março e o terceiro andar do Palácio Iguaçu; Guga Fruet, eleito deputado federal com uma votação nunca vista, vai assar o maior ?carneiro afrodisíaco? da história, e o deputado eleito Rafael Greca de Macedo começa a montar o seu presépio de Natal na chácara.
DEZEMBRO – Pergunta: no final do ano que vem estaremos outra vez aqui reunidos, jogando 12 tampinhas de cerveja (da mesma forma como se joga búzios) para depois beber todas as 12 garrafas bem acompanhadas de camarões abissais, mariscos e ostras coisas?
Horácio Braun: Se Deus quiser, e mais: estaremos ouvindo o balanço do governo Lula, que vai começar com sua velha frase: ?A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentira para justificar a primeira que contou?.