Último cabalista do Brasil meridional, Horácio Braun prevê o futuro com o mesmo método e inspiração de um antigo cartomante e mestre cervejeiro alemão que viveu no século 16, em Heidelberg: ele joga 12 tampinhas de cerveja (da mesma forma como se jogam búzios) e, depois de beber todas as 12 garrafas, revela o que será do nosso destino.

continua após a publicidade

Também nome de uma famosa cerveja em Blumenau, o ?Chope do Horácio?, fomos encontrá-lo em torno de uma bacia de camarões ?abissais?, na pequena enseada da ?Caixa d?Aço?, um paraíso da orla catarinense que fica estrategicamente entre a mansão onde Gisele Bündchen passa a temporada de final de ano e a simpática casa do prefeito Beto Richa, em Porto Belo. A entrevista foi realizada no bar flutuante ?Balanço do mar?, ancorado na enseada, em meio a uma desfrutável criação de ostras e mariscos.

JANEIRO – Pergunta: No ano passado o senhor previu para esta coluna um misterioso aquecimento solar jamais registrado – o Efeito Piauí – que iria derreter os três planaltos paranaenses, provocando uma fuga em massa da população para Guaratuba, Caiobá e Matinhos.

Horácio Braun – Foi o que aconteceu e o Jamur Júnior, em Guaratuba, pode confirmar. Porém, o ?tsunami? de 26 de dezembro do ano passado ocupou todo o espaço da mídia e não sobrou pra mais ninguém. É bem verdade que só o proletariado não conseguiu fugir de casa. Isso podemos creditar à política econômica do governo, que deixou o povão sem recursos contabilizados nem mesmo para se refrescar nas cavas do Iguaçu.

continua após a publicidade

FEVEREIRO – Pergunta: Sua previsão era de que não iria ter carnaval em Curitiba.

Horácio Braun: Foi o que eu disse e volto a repetir: ?Não vai ter carnaval em Curitiba e ponto!?.

continua após a publicidade

MARÇO – Pergunta: Segundo suas previsões para 2005, o ?tsunami? asiático não chegaria ao primeiro planalto paranaense, mas Curitiba não iria se livrar de um outro inferno: o trânsito da capital iria retornar ao caos, com o início das aulas e da Escolinha do Professor Requião.

Horácio Braun (abrindo uma panela de ostras ao bafo): Este ano o mês de março será muito pior. Curitiba vai assistir a engarrafamentos jamais vistos, especialmente na Vicente Machado, em frente à sede do PMDB, além do congestionamento de candidatos nas imediações dos diretórios do PSDB e PDT.

ABRIL – Pergunta: Sua previsão era de que a fila para descarregar soja no porto iria começar no Mosquitinho, em Paranaguá, ultrapassaria Curitiba e Ponta Grossa, até alcançar Cascavel. Isto vai se repetir?

Horácio Braun: Muito difícil, se depender do governo Lula. Com o dólar do jeito que está, não veremos fila nem para entrar nas bocas do Mosquitinho, a zona boêmia de Paranaguá.

MAIO – Pergunta: Para 2005, sua previsão foi curta e grossa: ?Não vai acontecer nada!?. E em 2006, o mês de maio também vai passar em branco?

Horácio Braun: Veja bem, como não era um ano eleitoral, no mês de maio do ano passado só iriam ocorrer os casamentos de praxe; e mais nada. Este maio será diferente. Teremos casamentos além das colunas sociais e que vão ganhar as manchetes dos jornais: o governador Requião já está com a fatiota de casamento pronta e não faltam pretendentes. O Rubens Bueno casa com a primeira que aparecer na frente. E temos ainda o caso dos irmãos Dias: são tantas noivas em adiantado estado de gravidez… e eles não se decidem por nenhuma! Vai sobrar mãe solteira na porta da igreja.

(Na próxima sexta-feira, Horácio Braun faz suas previsões para o resto de 2006, enquanto abre outra panelada de ostras.)