Previsões para 2005 (1)

Personagem emblemática de Blumenau e de Santa Catarina, Horácio Braun não é apenas um brilhante jornalista, escritor e músico, ou personagem de histórias em quadrinhos. Faz tudo isso em suas horas de lazer, que são muitas. Só encara o batente quando incorpora o espírito de um cartomante cervejeiro que viveu no século 16 em Heidelberg, na Alemanha, cidade muita conhecida por fabricar as rotativas que imprimem este jornal.

Para inveja e espanto de cartomantes e babalaôs baianos, Horácio Braun prevê o futuro com o mesmo método e inspiração daquele mestre cervejeiro alemão: joga 12 tampinhas de cerveja (da mesma forma como se joga búzios) e, depois de beber todas as 12 garrafas, ele revela aos comuns mortais o que será do amanhã, o que será do nosso destino.

A nosso convite, Horácio Braun de deslocou do bairro da Velha, em Blumenau, para participar da 1.ª Baratona de Curitiba, realizada na noite de quarta-feira passada, que, é bom registrar, foi um absoluto sucesso. Depois de visitar 12 bares de Curitiba, beber dois chopes em cada bar e conhecer a fina flor da boêmia curitibana, Horácio Braun acomodou-se no balcão do bar Ao Distinto Cavalheiro (tendo como testemunhas os arquitetos Bruno de Franco, Edson Klotz, mais o cartunista gaúcho Edgar Vasquez), quando relatou o que 2005 reserva ao Paraná.

Obedecendo ao antigo ritual do cartomante cervejeiro de Heidelberg, Horácio Braun jogou 12 tampinhas de cerveja no balcão (da mesma forma como se joga búzios) e, depois de beber todas as 12 garrafas, ele nos contou, mês a mês, a nossa história futura. O que ouvi e registrei no guardanapo, juro que é a pura expressão da verdade.

JANEIRO – Um misterioso aquecimento solar jamais registrado – o Efeito Piauí – vai derreter os três planaltos paranaenses, provocando uma fuga em massa da população para o litoral do Paraná e Santa Catarina. Hordas de desabrigados vão descer a Serra do Mar, provocando um engarrafamento monstro nas principais vias de acesso, com o povo indo às vias de fato, que, por via das dúvidas, nem as autoridades vão poder acudir pelas vias competentes. A ilha do Mel será assaltada por milhares de surfistas e marinheiros de primeira viagem, lotando pousadas, fazendo tendas, formando o maior barraco. Da invasão, nem mesmo a Ilha das Cobras, residência de verão do governador, estará a salvo, forçando Roberto Requião a dividir o mesmo pirão com Jaime Lerner. Curitiba vai ficar às moscas, assim como só o ex-prefeito Antônio Belinati restará em Londrina.

FEVEREIRO – Não vai ter carnaval em Curitiba e ponto!

MARÇO – Mesmo com o arrefecimento do Efeito Piauí, Curitiba não vai se livrar do inferno: o trânsito da capital vai voltar ao normal, com o início das aulas e da Escolinha do Professor Requião. No andamento do campeonato paranaense, o Atlético Paranaense, com o time reserva, perde outra vez para o Paraná Clube em plena Arena da Baixada, para desespero do Augusto Mafuz e gáudio do Ernani Buchmann. O prefeito Beto Richa anuncia um novo aumento na tarifa do transporte público, por obra e graça do governo federal que insiste em não subsidiar o óleo diesel para os trabalhadores do Brasil. Uma nova onda de calor assola o Paraná, mas aí já é tarde: a Ilha do Mel e a Ilha das Cobras estarão interditadas pela Saúde Pública. As Cavas do Iguaçu farão mais centenas de vítimas e o jacaré do Parque Barigüi vai nadar de costas para tomar um sorvete na Rua das Flores. Uma casa de bingo estará sendo inaugurada, sendo fechada no mesmo dia.

ABRIL – Sem nenhuma mentira, a fila para descarregar soja em Paranaguá vai começar no Mosquitinho, em Paranaguá, vai ultrapassar Curitiba, atravessar Ponta Grossa, até alcançar Cascavel. De tão fantástica, não vai sair no Fantástico e o Jornal Nacional vai mostrar o tamanho da fila para ilustrar a maior safra da história, salvação da lavoura e da economia brasileira.

Até quarta-feira, com outras previsões de Horácio Braun.

Grupos de WhatsApp da Tribuna
Receba Notícias no seu WhatsApp!
Receba as notícias do seu bairro e do seu time pelo WhatsApp.
Participe dos Grupos da Tribuna