Sexta-feira passada tratou-se aqui de uma matéria de utilidade pública: quantas vezes erramos a grafia de certas palavras porque nos acostumamos a pronunciá-las erradas no cotidiano. Desde a infância, carregamos um sem-número de vícios de linguagem: o também é “tamem”, mendigo é “mendingo”, cabeleireiro vira “cabelerero”. É um assunto seriíssimo que tratamos como “seríssimo” Essa matéria não conhecia mais gorda: é a ortoépia, ou ortoepia, que trata da correta pronúncia das palavras. Um exemplo corriqueiro: “advogado, e não “adevogado”. E tem ainda a prosódia, que trata da correta acentuação tônica. Exemplo: rubrica, e não “rúbrica”.

Se é “de pequenino que se torce o pepino”, muito antes do Lula vestir o fardão da Academia Brasileira de Letras teremos uma nova linguagem pátria: o português.com. O dialeto tribal dos micreiros, perfeitamente analisado na última edição do jornal Divina Informa, num texto de Leonara Andrade Vieira, estudante do ensino médio do Colégio da Divina Providência, aqui de Curitiba. Com a devida permissão, copiei/colei:

O JOVEM NA INTERNET

Cada dia que passa, a ciência aumenta sua tecnologia e as coisas vão ficando cada vez mais fáceis. A internet é um exemplo muito claro disso, pois basta apertar apenas um botão e você está com acesso a tudo o que quer.

Mais que todos os recursos velhos ou novos de meio de comunicação, como o telefone, cartas e rádios, agora, mais do que nunca estamos usando a internet. Temos acesso a programas que dão liberdade a falar com quantas e com qualquer pessoa que quisermos, sejam elas amigos, parentes ou até mesmo desconhecidos. Alguns desses programas são o “icq”, o “messenger” e sala de bate-papo, os quais possibilitam essas conversas. Para conversar, digitamos uma mensagem e instantaneamente ela chega ao seu destino. Aí mora o problema: “digitar a mensagem”. Quando escrevemos rápido, não nos damos conta de que é preciso usar acentos, letras maiúsculas e minúsculas nas devidas condições, espaços e até mesmas letras certas nas palavras. Isso não acontece muito nessas conversas pela internet, o que de uma forma ou outra interfere e muito na vida do jovem, pois quando ele menos esperar, estará colocando em cartas, redações e currículos palavras abreviadas e com a mínima concordância.

Vejam aqui um trecho de uma conversa extraída de um bate-papo:

– Oieee td bom ???

– tudo e vc?

– td bem tbm, q q vai faze hj?

– a sei la ta meio frio né!

– pois é , se num qué vim aki em csa? pq daí a gente faz o trab né

– blz te daki a poko ..Tchau

– bju tchau .

Como deveria ser:

– Oi, tudo bom?

– Tudo e você?

– Tudo bem também. O que você vai fazer hoje?

– Não sei. Está um pouco frio. Você não acha?

– É. Você quer vir à minha casa? Assim faremos o trabalho.

– Tudo bem. Até daqui a pouco. Tchau!

– Um beijo. Tchau!

Mais absurdo do que isso não existe. Há informalidade na conversa, as palavras estão totalmente desestruturadas e sem nexo, mas essa é a pura realidade, e isso não pode continuar assim. É mesma coisa que falar que a escola ensina e a internet, deseduca por culpa dessa informalidade. Está na hora de reverter isso. Deveriam implantar dentro desses programas, uma autocorreção das palavras ou as pessoas, principalmente os jovens devem se conscientizar que mais tarde precisarão de uma escrita e uma língua culta em nosso vocabulário.

Leonara Andrade Vieira

Té qta-feira e td bom, Leonara. Bju tchau!

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