Pocotó, pocotó e lá vem o Brasil descendo a ladeira

Copiando e colando, passo adiante este texto de autor

não identificado, prevendo a que ponto a

cultura brasileira ainda vai chegar:

Vestibular da UnB – Ano de 2046

PROVA DE LITERATURA BRASILEIRA

Leia o trecho do poema abaixo e responda as questões:

“O jumento e o cavalinho

eles nunca andam só

quando sai pra passear

levam a égua pocotó”

(Egüinha Pocotó, Mc Serginho, 2003)

a) A forma adotada pelo autor do texto leva o leitor a uma reflexão crítica acerca de alguns elementos do estilo literário da época, ao mesmo tempo em que insere temáticas dotadas de valor universal. Assinale a passagem em que o autor expressa com maior intensidade este dualismo. Identifique a figura de linguagem adotada.

b) Ao posicionar em um mesmo patamar personagens que até o momento só haviam sido tratados com a devida separação de classes, coloca o autor “O jumento e o cavalinho” como uma paródia da realidade social do país na época. O brilhantismo desta visão crítica é destacado por expressões que, para um leitor menos atento, podem parecer erros gramaticais, mas que na verdade geraram uma nova aplicabilidade da língua portuguesa. Identifique estes trechos e as inovações gramaticais por eles introduzidos.

c) Eleita como acompanhante nos passeios dos dois protagonistas, a Égua Pocotó rompe a solidão até então predominante no panorama urbano estabelecido. Mais do que um triângulo amoroso convencional, o autor atribui aos personagens um status que transcende a natureza metafísica convencional. Emerge então o caráter feminino, no auge de sua auto-afirmação como contraponto ao pansexualismo. Descreva o papel da Égua Pocotó como elemento de instabilidade no equilíbrio social do início do século XXI.

d) O texto de Mc Serginho, precursor do movimento literário-cultural denominado pocotoísmo, propõe uma nova métrica e abordagem ao texto poético. Alguns críticos da época chegaram a compará-lo a “Pedra no Caminho” de Drummond, um poeta de menor importância no século XX, injustiça revertida mais tarde com a identificação da sua efetiva quebra de paradigma literário. Compare o estilo da obra de Mc Serginho com os autores clássicos do século XX e justifique a relevância de sua obra. Boa sorte.

VIVE LA FRANCE!

Gente, vamos combinar o seguinte: o que pode acontecer neste 17 de março, por obra e vontade do Bush filho, não é uma guerra, certo? É uma invasão. Combinado assim? IN-VA-SÃO!

E viva o francês Chirac, um direitista que vale por três trabalhistas da estirpe do inglês Toninho Blair. Nas últimas eleições francesas, quando a direita aposentou Lionel Jospin, o candidato do eleitorado de esquerda que não votou e foi pra praia, analistas de todo mundo anunciaram a derrocada esquerdista e o predomínio da direita européia, totalmente alinhada com os americanos e a CNN. Agora, olhando pelo retrovisor, fica a pergunta: o esquerdista Lionel Jospin teria coragem suficiente para chutar o pau da barraca e mandar a soldadesca da Casa Branca plantar batatas em Massachusetts? Duvi-de-o-dó!

Gente, vive la France! Vive monsieur Chirac! Por essas e por outras é que ainda mantenho o firme propósito de adquirir um apartamento numa margem do Sena, à esquerda ou à direita. Pra tanto, só me falta arrumar o modesto cargo de fiscal da Fazenda no Rio de Janeiro.

Até domingo, um bom dia para um vinho francês!

Grupos de WhatsApp da Tribuna
Receba Notícias no seu WhatsApp!
Receba as notícias do seu bairro e do seu time pelo WhatsApp.
Participe dos Grupos da Tribuna