Amigos, é hora de tirarmos a máscara: o chamado ?humor inteligente não existe!? – conclama o humorista argentino Podeti, em sua ?Declaração de princípios do humorista honrado: por favor, ria de mim, não comigo!?.
Cronista do diário Clarín, o humorista Podeti não se conforma com a pretensão dos modernos ?bobos da corte? de que se dizem ?a voz crítica? e que fazem humor para ?reflexão?. O humor não serve para isso – adverte Podeti: ?Estão confundindo com a filosofia, a matemática ou a sociologia. O humor, em todos os casos, serve para fazer rir?. Podeti argumenta que os humoristas não são mais os mesmos: ?Ignoro em que momento o bobo da corte foi elevado na escala social, até converter-se em um personagem respeitável que hoje participa de mesas-redondas na Feira do Livro e sai nas capas dos suplementos de espetáculo. Em tempos antigos ele comia as cascas que lhe jogava o senhor medieval e dormia na estrebaria?. A ?Declaração de princípios de um humorista honrado? nos chega em boa hora, porque nós, os graciosos, estamos sendo esmagados pelos piadistas militantes que se infiltraram em todas as camadas da sociedade e não deixam mais espaços de sobrevivência aos autênticos bobos da corte. Os mais célebres e reverenciados humoristas da atualidade não são mais encontrados nas estrebarias. Hoje eles são encontrados em palácios, com cargos em comissão.
Piadista militante – para explicar o conceito – é aquele gracioso comissionado que não só defende o governo, como também está no governo. Lula é um deles, Severino Cavalcanti é outro, e o mais novo ocupa pomposo cargo na Secretaria Especial dos Direitos Humanos: professor da Universidade de Brasília, Antônio Carlos Queiroz levantou a bunda da cadeira, elaborou e começou a distribuir a cartilha ?Politicamente correto?. Ela reúne 96 palavras, expressões e piadas consideradas pejorativas e que revelam discriminações contra pessoas ou grupos sociais, como negros, mulheres, homossexuais, religiosos, pessoas portadoras de deficiência e prostitutas. A tiragem inicial da cartilha é de cinco mil exemplares e o público-alvo inclui políticos em geral, policiais, jornalistas e professores. Exemplos de palavras ?politicamente incorretas?, para você riscar do seu caderno:
A COISA FICOU PRETA: forte conotação racista contra os negros, pois associa o preto a uma situação ruim / ANÃO: são vítimas de um preconceito peculiar: o de sempre serem considerados engraçados. Não há nada especialmente engraçado. O fato de ser anão não afeta a dignidade. / BAIANADA: atribui aos baianos inabilidade no trânsito. É um preconceito de caráter regional e racial, como os que imputam malandragem aos cariocas, esperteza aos mineiros, falta de inteligência aos goianos e orientação homossexual aos gaúchos. / BARBEIRO: xingamento para motorista inábil. Ofensiva ao profissional especializado em cortar cabelo e aparar a barba. / CABEÇA-CHATA: termo insultuoso e racista dirigido aos nordestinos, cearenses em especial. / COMUNISTA: contra eles foram inventadas calúnias e insultos, para justificar campanhas de perseguição que resultaram em assassinatos em massa, de caráter genocida, como durante o regime nazista na Alemanha. / LADRÃO: termo aplicado a indivíduos pobres. Os ricos são preferencialmente chamados de corruptos, o que demonstra que até xingamentos têm viés classista. / PRETO DE ALMA BRANCA: um dos slogans mais terríveis da ideologia do branqueamento no país, que atribui valor máximo à raça branca e mínimo aos negros. Frase altamente racista e segregadora. / SAPATÃO: usada para discriminar lésbicas, mulheres homossexuais. Entendidas e lésbicas são termos mais adequados. VEADO: uma das referências mais comuns e preconceituosas aos homossexuais masculinos. Expressões adequadas são gay, entendido e homossexual. / XIITA: um dos ramos do islamismo se tornou no Brasil termo pejorativo que caracteriza militantes políticos radicais e inflexíveis.
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Por enquanto, o professor Queiroz compilou apenas 96 palavras politicamente incorretas. Brevemente deve incorporar outras, considerando característica regionais. Doravante, acautelem-se: ai de quem nos chamar de ?catarina?! Vamos procurar reparação moral na Secretaria Especial dos Direitos Humanos.