Convidada para a inauguração de um comitê do candidato Ciro Gomes, a loura e patricinha disparou saltitante para o salão de beleza. Foi dar um trato extra na exuberante cabeleira. Bem produzida, num modelito de vitrine do shopping Crystal, canetinha e papel rosa para o autógrafo, lá foi a bela encontrar Patrícia Pillar.

Assim que adentrou ao casarão de campanha, cruzou com Ciro Gomes. Nem deu tchaus! O que a patricinha queria mesmo era conhecer a Pillar. E conheceu. Apresentada pela esposa de um deputado, trocou beijinhos e foi logo perguntando para a namorada do candidato cearense, uma verdadeira rainha careca:

– Patrícia, o que você anda fazendo?

– Quimioterapia!

– Na federal ou na Católica?

Chama o ladrão!

Contratado por uma seguradora, um anônimo ladrão de veículos deu uma ligeira aula de pilantragem, uma esclarecedora e rara entrevista, com importantes dicas de como agem os ladrões de carro. O depoimento parece ser dos mais sinceros e deixa bem claro por que é bem melhor chamar o ladrão: ele é que sabe das coisas.

Período preferido – Prefiro furtar de manhã. É quando todo mundo está com menos cuidado com as coisas.

Travas – Travas, segredos e alarmes são ridículos. Antigamente, alugava um carro para estudar como funcionava. Hoje nem faço isso. Nunca desmontei carro. Odeio sujar a mão. Sempre trabalhei sozinho, por encomenda. Já entrei em concessionária, de terno, para ver o endereço e para onde iria o carro. Ficava de campana, vigiando, e roubava. Já roubei muito carro que o pessoal da concessionária me entregou.

Busca – Para quem tem carro furtado, o ideal é procurar num raio de três quilômetros da vizinhança, pelas ruas menores, menos movimentadas.

Destino dos carros – Esse negócio de Paraguai é lenda. Ninguém vai levar carro roubado para lá. No Paraguai, o máximo que acontece é gente que entrega a uma pessoa, ela leva o carro até lá, vende no mercado negro e manda a chave e documento de volta para ele dar a queixa de roubo. E são poucos. O mais comum é o carro ir para o interior, onde não há fiscalização. Boa parte dos carros é cortado por ferros velhos. Mas hoje em dia 50% das comunicações são falsas. Quase tudo é golpe na seguradora.

Encomendas – Eu tinha encomenda para o resto da vida. Mas se disser quem é, me complico. É melhor ser um preso vivo, que um morto em liberdade.

Conselhos – Se a pessoa não quiser ter seu carro furtado, não deixe nada dentro visível. Na minha mente doente, sempre acho que tem dinheiro, ouro, jóia. Não equipe muito o carro, porque assim se ganha muito dinheiro. Além de vender o carro, ainda vendo os acessórios. Não coloque em rua calma demais.

Preço – Numa Blaser do ano, paga-se R$ 10.000,00, se você vender no interior. Se você passar para um atravessador, fica com uns R$ 4.000,00 ou R$ 5.000,00. Quando não dá pra passar, algumas pessoas fazem o golpe da recuperadora. O ladrão fica com 3,5%, o recuperador com 3,5%, a empresa com 3%, dos 10% que a seguradora paga.

Desafio – Se um fabricante quiser, coloca um carro aqui no pátio (da delegacia) e, se eu não abrir, faço propaganda da empresa dele, dizendo que a trava de segurança funciona. As montadoras fazem códigos para vender carros mais caros, mas os delas são os mais fáceis de furtar. A melhor coisa é fazer seguro.

Autoconfiança – Não existe carro que eu não roube. Motor não tem vontade própria e não ama o dono. Se você der energia e combustível, ele vai andar.

Justiça – Meu crime é igual a roubar uma carteira de uma bolsa. Vou ficar preso por um tempo, uns dois anos, mas vou sair. Infelizmente, a justiça é assim.

Até quarta-feira, com a camisa do São Caetano!

continua após a publicidade

continua após a publicidade