O publicitário Eloi Zanetti vem sustentando há anos que o paranaense é um tímido, quando se aventura além do Rio Paranapanema. E o curitibano, um caso mais grave, quando chega no Rio Atuba, patina e encalha.

Faz sentido. Comparando com os assanhados gaúchos, somos nós uns envergonhados. A gauchada assobia e chupa cana, da política à moda, da música à literatura, pode reparar no cenário nacional, sempre tem um gaúcho brilhando. No Brasil, só perdem para os baianos, mas explica-se: baiano não nasce, baiano estréia. Os gaúchos são tão metidos que até se atreveram a fazer churrasco. E não é que aprenderam, tchê? No campo político, especialmente, somos mais que tímidos, somos uns tapados pra usar uma palavra do tempo em que o Paraná era quinta comarca de São Paulo. Se fotografarmos hoje o Congresso Nacional, ficaremos mal no retrato.

Provavelmente dois barbudos se revelem na fotografia, ainda que desfocados: Dr. Rosinha e o Osmar Dias. Ia esquecendo de outros três: Osmar Serraglio, Luiz Carlos Hauly e o Guga Fruet. Seria um lapso, pois a trinca está formando um belo álbum de retratos. Tem ainda o Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Lula, um paranaense realmente tímido e discreto, mas é um dos poucos petistas com intimidade suficiente pra ajeitar a gravata do presidente.

Folheando nosso velho álbum de retratos, até os catarinas já ganharam um presidente da República, Nereu Ramos, outro vice que chegou lá. Podemos consultar também retratos de outras áreas e veremos que o paranaense quase nunca se revela em primeiro plano. Seria esse comportamento de exclusiva culpa nossa? Talvez. O falecido cientista Newton Freire Maia, por exemplo, era um gênio da raça que poucos de nós reconhecemos naquele mineiro um autêntico paranaense.

Não vou me estender no assunto e passar em revista todas as exceções – como os nossos gloriosos escritores Dalton Trevisan e Wilson Martins -, porque quem defende a tese do “paranaense tímido” é o Eloi Zanetti. Não concordo na íntegra com a teoria, mas analisando a campanha do Atlético Paranaense no Campeonato Brasileiro deste ano, precisamos revisar o discurso do publicitário, pois pode estar aí a origem do fracasso rubro-negro além fronteiras.

Jogando em casa, o time do Mário Celso Petraglia mostra que domina os fundamentos básicos e, no embalo da torcida, não tem pra ninguém. Mas quando atravessa o Rio Atuba, é vexaminoso. Conseguiu perder para o Fortaleza, um timinho mequetrefe que não ganhava de ninguém. Os cearenses recuperaram alguma dignidade ganhando do Atlético. Ao sul, os rubro-negros atravessaram Garuva e deram com os burros nas águas de Floripa: empataram misericordiosamente com o Figueirense, viste?

Numa gentileza da nossa querida Gisele Rech, mui bela e valente repórter esportiva, olha aí os números do Atlético Paranaense, de apelido novo: cachorro de apartamento. Fora de casa, só faz cacaca!

Ganhou 25 pontos em 20 jogos. Foram 7 vitórias – em casa, frise-se – 4 empates e nove derrotas. 28 gols contra e a favor. Um empate em casa, um empate fora, uma derrota em casa e… zero vitórias fora. Que tal? O Atlético Paranaense não é a mais perfeita tradução da tese do Eloi Zanetti?

De minha parte, tenho a acrescentar que, daqui pra frente, se alguém afirmar que o paranaense é tímido, respondo na ponta da língua:

– Paranaense, vírgula! Atleticano!

Até domingo, bem feliz e contente, pois no sábado o rubro-negro enfrenta o Paysandu! Na Arena!

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