Estou com o governador Roberto Requião e não abro: perde-se o amigo, mas não se perde a piada. Sem citar nome e função, que por educação não se deve fazer comentários acerca das pessoas que nos visitam.

Como faz parte do protocolo, em época de eleições quase todos os candidatos têm o civilizado hábito de visitar também as redações dos jornais. É uma gentileza, e portanto, muito agradecemos. Na última eleição presidencial, por exemplo, recebemos o candidato José Serra, dias depois da visita de Luiz Inácio Lula da Silva. Afável e muito simpático, o que não poderia deixar de ser, o tucano cumprimentou todos os funcionários deste jornal, ao lado da candidata a vice, Rita Camata. Serra, todos sabem, é um ex-fumante e, quando ministro da Saúde, empreendeu uma sistemática campanha antitabagista. Rita Camata, sócia-atleta da Souza Cruz, naquela época vivia numa situação constrangedora. Só podia dar suas tragadas escondida, e bem escondida, do antitabagista militante José Serra. Na condição de fumante enrustida, Rita deu um baile na comitiva, largou José Serra no meio da redação e foi acender unzinho no toalete. Voltou mascando chicletes de hortelã.

Nesta eleição para prefeito e vereadores, o protocolo se repete. Vários candidatos já nos visitaram, mas um deles deixou uma boa história que acaba de entrar para o folclore da redação. E a partir de agora, para o folclore político. Guiado pelo editor-chefe, o candidato ia sendo apresentado às várias editorias, quando chegou a vez do editor de Economia, jornalista João Alceu. No nosso jargão, ele “faz” Economia.

– Candidato, este é o João Alceu, que faz Economia.

– Na PUC ou na Federal?

SEM COMENTÁRIOS

Na semana, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado homenageou o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. Foi uma sessão memorável e digna de registro. O ministro Amorim estava pronto para debater com os senadores os feitos da política externa do governo, quando adentra ao cerimonioso recinto a cantante argentina Cecilia Rosseto, trazida pelas mãos do senador Eduardo Suplicy, que a ouvira cantar na noite anterior durante um rega-bofe. Cercada de mimos, a cantante Cecilia Rosseto, convidada a sentar à mesa principal ao lado do ministro e de frente para os senadores, Cecilia foi surpreendida com a proposta de Suplicy para que cantasse um tango. E cantou.

Cantou e foi notícia nos jornais argentinos: “La cantante argentina Cecilia Rosseto interpretó el tango “Audacia” em el Senado de Brasil para homenajear al ministro de Relaciones Exteriores, Celso Amorim”.

Na língua que se fala na Granja do Torto, nos corredores palacianos e no gabinete do senador Suplicy, a letra do tango é esta, traduzida pelo jornalista Ricardo Noblat:

“Me contaram, e desculpe por perguntar dessa maneira, / que você é acompanhante em não sei qual boate, / que já até está mais rodada que um potro cutucado nas patas, / bem enrolada pela conversa de um gostosão. / Não entendo francamente o que é ser acompanhante, / mesmo que digam que sou ignorante e atrasado. / O que você esperava? Não deve ser nada bom andar com tudo de fora. /

E em vez de falarem com você na nossa língua, falam em francês. / Depois falam por aí é isso o quê você queria? Me desconsola. / Pois vêm dos rapazes que te viram trabalhar / que junto a outras garotas você sai por aí a cantar, / se é que se pode chamar isso de cantar. /

Você que não tem ouvido música, nem os parabéns para você… / E cantavas La Morocha (A Morena) como número principal e atração… / Ai de ti que estás tão escassa de vergonha e de pudor. / Cantar essa canção aos berros quando toca um charleston. /

Te mudaram, pobre garota. / Se a tua velha (mãe), a finada, levantasse a cabeça do fundo do caixão e te visse dessa maneira tão audaz e enlouquecida, / morreria novamente de dor e indignação. / Você, aquela garotinha a quem ela, de modo santo, educou tão caladinha, tão humilde, tão formal… / Te mudaram, pobre garota. Te enrolaram totalmente. / Lamentável mascarazinha de um triste carnaval.” /

Até quarta-feira; e parabéns ao Bar dos Passarinhos, Marco Dolabella e equipe, pelo melhor petisco de Curitiba, segundo o júri da revista Veja.

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