O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, passou em revista na semana passada os primeiros 258 policiais de 24 estados formados para a Força Nacional, uma tropa especial que contará com 1.500 homens, destinada a atender emergências em todo o país.
Força Nacional? Que bicho é esse?
Onde esse bicho vai dar?
Emocionado com a formatura, o secretário anunciou que um novo grupo já está sendo adestrado na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. A força especial está sendo treinada por etapas. Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro foram os únicos três estados que não enviaram elementos. Mas não faltou garbo para os formandos e nem discurso: “Vamos levar adiante essa política, sem arranhar a autonomia dos estados. Pelo contrário, esse é um projeto de integração. Vamos cumprir nossa missão, a despeito das críticas”.
Críticas, que críticas? Na quinta-feira passada, a governadora do Rio, Rosinha Matheus, atacou a idéia, dizendo ser uma falta de respeito ao federalismo, que lembra a Alemanha nazista.
Alemanha nazista? O que é isso, dona Rosinha: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Na Alemanha nazista o que existia era a Gestapo. A polícia especial e secreta que era a garantia do completo domínio da população pelo Partido Nazista. Contava com 5.000 homens, pelo menos, e tinha preparado, até os mínimos detalhes, todas as defesas contra uma possível revolução interna. A Gestapo, na sua incessante caça aos inimigos internos, agia nas altas horas da madrugada; os homens encarregados da captura, propositalmente taciturnos e carrancudos, não ofereciam qualquer explicação aos presos nem às famílias. Naqueles casos em que o terror só por si mostrava ser ineficaz, a Gestapo não hesitava em incitar e provocar à rebelião. Quando os chefes da polícia alemã ouviam rumores de rebelião em qualquer lugar do país, era freqüente mandarem logo um agitador para organizar uma conspiração. E, uma vez descoberta convenientemente a revolta, lá vinha a Gestapo de surpresa para prender os ingênuos que se deixavam levar no engodo dos provocadores. Os agentes dessa polícia especial do nazismo eram escrupulosamente selecionados para a formação das brigadas e iam sendo gradualmente treinados para se tornar ainda mais duros e mais implacáveis. Eram em seguida designados para constituir os pelotões de indivíduos isolados, e só depois desse treino progressivo eles estavam em condições de agir.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Mas perguntar não ofende, que ainda restam dúvidas: Força Nacional? Que bicho é esse? Que bicho vai dar? Se não é do Exército, se não é da Aeronáutica, se não é da Marinha, se não é da Polícia Federal, se não é da Polícia Militar, se não é da Polícia Civil, muito menos da Guarda Municipal, que bicho é esse? Onde esse bicho vai dar?
Perdão pela ignorância, mas a idéia do Conselho Federal de Jornalismo deu para entender, e muito bem. Agora, esse objeto não identificado do governo é de deixar aquele personagem do Henfil – Ubaldo, o paranóico – com o bicho atrás da orelha.
Certa vez dois pescadores estavam na praia de Guaratuba assistindo o revoar das gaivotas, quando cruzou os céus um elefante.
– Olhaí, compadre: um elefante voador.
– Elefante voador? Nunca tinha visto um bicho assim!
– É um elefante voador.
Passaram-se mais alguns minutos, quando cruzou outro elefante voador.
– Olhaí, compadre, outro elefante voador.
– É, é outro elefante voador!
Nos minutos seguintes, outros e outros e outros e outros elefantes voadores cruzaram os céus de Guaratuba.
– Compadre, reparou que os elefantes estão vindo do Morro do Cristo?
– É, os elefantes estão vindo do Morro do Cristo.
– Então a ninhada é no Morro do Cristo!
Até sexta-feira; com saudades de Paulo Leminski, 60 anos.