Quem sabe das coisas tem a clara noção de que essa esbórnia brasileira será devidamente compreendida e assimilada dentro de uma ou duas décadas, conforme o andamento dos trabalhos dos historiadores e quando a versão final da biografia dos atuais personagens exigir a verdade dos fatos.

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Coisa, você sabe, é tudo aquilo que existe ou pode existir, é qualquer coisa que a rapaziada não sabe bem o que é, nem que nome empregar. Pode ser um adjetivo, se nos referirmos às qualidades do presidente, por exemplo: ?O discurso do Lula foi uma coisa?. E coiso é um substantivo genérico no linguajar da galera: no masculino coiso, feminino coisa.

Das coisas que hoje estamos sabendo, muito mais coisas saberemos no futuro. E dos personagens dessa coisa toda, alguns ainda estarão participando das coisas e muitos deles serão transformados em coisos. Dia virá que um nosso filho, neto ou bisneto, queira saber quem o coiso que era presidente da Câmara e que tomava dinheiro do dono da cantina dos deputados?

– Era um tal de Severino Cavalcanti.

– Que fim levou esse coiso?

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– Foi escorraçado de Brasília, se aposentou com um alto salário, e passou o que lhe restava de vida numa praia do Nordeste, até morrer como um sabiá embaixo de uma palmeira.

– E quem era mesmo aquele outro coiso que fazia a propaganda eleitoral para o presidente Lula da Silva e foi preso numa rinha de galo?

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– Era um publicitário muito vivo.

– E esse coiso ainda vive?

– Vive na Bahia e vive do bom e do melhor, vizinho da Ivete Sangalo, uma cantora que cantava que era uma coisa.

– E aquele coiso que começou toda aquela coisa e que não provava coisa nenhuma, um coiso chamado Roberto Jefferson?

– Ficou oito anos não dizendo coisa com coisa e foi assim que se deu a coisa: era um coisa ruim que depois disso se elegeu governador do Rio de Janeiro e quando isso aconteceu eu senti uma coisa!

– Que coisa…??? E aquele coiso do Zé Dirceu?

– Veja como são as coisas: também era uma flor do lodo. Foi cassado e teve o mesmo destino que o Roberto Jefferson: depois de oito anos não dizendo coisa com coisa, foi eleito governador de São Paulo… pelo PFL!

– Que coisa…??? E o coiso do Delúbio Soares.

Foi viver em Goiás, teve uma coisa e morreu.

– E o presidente Lula? Não fazia coisa com coisa, não dizia coisa com coisa, como presidente não foi lá essas coisas e mesmo assim ficou até o fim da coisa!

– Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, dizia o coiso do Zé Genoino. Trata-se de coisa séria e até hoje há divergências quanto à coisa em si. Quando toda aquela coisa veio à tona, o mundo teve uma coisa! A coisa que ficou é que ele misturava a coisa pública com a coisa privada. Quando candidato era uma coisa; quando eleito, outra coisa. Primeiro operário presidente da República, passou para história como um outro coiso qualquer.

COISAS E LOISAS – Misturando coisas várias, teremos uma coisarada no fim de semana. E só coisa boa, se o tempo ajudar: no sábado, vamos matar uma fome de 25 anos e reviver a saudosa Feijoada Trinity, além de reencontrar os amigos para homenagear Guilhobel de Camargo e dona Regina. Devem comparecer as grandes figuras daqueles anos do século passado, quando a Feijoada Trinity do Restaurante do Guilhobel, na Itupava, junto ao Posto Sideral, era ponto de encontro obrigatório de políticos, artistas, intelectuais, jornalistas, nas tardes de sábado. Reservas e convites, na forma de um avental, a 25 reais por pessoa, bebidas à parte, no próprio local do evento: Armazém São Miguel, Rua Lamenha Lins, 1540, esquina com Almirante Gonçalves, telefones (41) 334-4386 e 3024-4503.

E a coisa fia fino quando se trata de participar da Festa de São Francisco, no Largo da Ordem. Essa coisa boa começa na noite de hoje e só termina na noite de domingo, com um último abraço no Rafael Greca, santo padroeiro desta festa que é um símbolo da solidariedade curitibana. Uma coisa!