Em Herculano, cidade romana vizinha a Pompeia também destruída pela erupção do Vesúvio, foi encontrado um grafite na Casa della Gemma: “Apollinaris medicus Titi Imp. hic cacavit bene” (Apolinário, médico do imperador Tito deu uma bela cagada aqui).

A inscrição romana atravessou os séculos e está sujeita a chegar ao terceiro milênio com uma versão nos escombros do que vier a restar de Brasília: “Senatur Delcidius hic cacavit bene”.

Com tanta gente “cacavit bene” na Praça dos Três Poderes, é forçoso reconhecer que o mau cheiro ora reinante não teria surgido se Luiz Inácio Lula da Silva tivesse acatado o conselho de Chico Buarque de Holanda. Em 2004, o companheiro compositor sugeriu que o então presidente Lula estaria precisando criar o “Ministério do Vai dar M…!”. Pasta de um homem só, o ministério do mau cheiro teria a incumbência de ser acionado para avaliar todas as decisões do governo, antes de serem adotadas.

Conforme a proposta de Chico Buarque, às vésperas de cada decisão importante a ser tomada, quando os assessores sentissem algum odor estranho no ar, o ministro do “Vai dar M…!” seria chamado ao gabinete presidencial. No Mensalão, por exemplo, quando decidiram criar um salário extra para adoçar o bico dos parlamentares da base aliada, o “Ministério do Vai dar M…!” seria acionado:

– Zé Dirceu, de onde virá essa dinheirama toda? – perguntaria o presidente que não sabia de nada.
– Por intermédio de um publicitário mineiro, o deputado Roberto Jefferson vai distribuir um montante de recursos não contabilizados oriundos das empresas estatais.

Pelo tamanho do monturo, o ministro do “Vai dar M…!” teria aconselhado:

– O que é isso companheiro? Você quer ir pra cadeia? Isso “vai dar m…” no Supremo Tribunal Federal!
No desarranjo em andamento, com o chorume no pré-sal, tudo estaria sob controle se o presidente Lula tivesse chamado a candidata Dilma Rousseff para uma conversa íntima, longe das latrinas do Congresso Nacional.

– Dilminha, você sabe com quantos paus se faz uma canoa lá na Petrobrás?

Lula então apuraria o olfato para aconselhar:

– Ao tomar posse, no primeiro minuto da primeira hora do primeiro dia, convida o companheiro Chico para tomar posse do ministério que ele mesmo sugeriu.

Marcado por uma eficaz administração econômica na capital do Império Romano, ao ser criticado por estabelecer um imposto aos urinóis, o Imperador Vespasiano colocou uma moeda sob o nariz de seu filho Tito Livio e perguntou se o mau cheiro o estava incomodando. Quando Tito respondeu que não, o imperador respondeu: “Mas vem da urina!”.

Para cobrir o buraco de R$ 120 bilhões para fechar o ano, só mesmo o “Ministério do Vai dar M…!” para criar o “Imposto do Penico”. Ao contrário da CPMF, Dilma terminaria o ano aliviada e o cheiro não iria incomodar ninguém.

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