Recém chegado de um périplo pelo Japão, o prefeito Cássio Taniguchi não tem do que se queixar. Tirante as bagagens que sumiram na ida e na volta, chegou falando de um graúdo dinheiro com passagem marcada para Curitiba e de um almoço inesquecível na terra de seus ancestrais.

Depois de uma semana cumprindo uma agenda de almoços e jantares com autoridades japonesas, o que equivale a dizer um festival de sushi, sushimi, saquês e, pra variar, os abomináveis cardápios ditos “internacionais”, o prefeito já sonhava com um pastel do Mercado Municipal, quando sentou-se à mesa da embaixada brasileira, em Tóquio. Compromisso de final de viagem, para agradecer tanta atenção dispensada, foi mais que um cordial almoço: foi um banquete dos deuses.

E sabe qual o prato orgulhosamente servido?

– Picadinho.

Exatamente, torcida brasileira: o nissei Cássio Taniguchi confessa que o banquete em Tóquio foi de tirar a barriga da miséria. Depois de uma semana de sushi e sashimi, nada que se compare a um Picadinho. Este nosso velho e bom picadinho bem brasileiro, hoje injustamente esquecido por tantos esnobes restaurantes, como se fosse um pobre filho enjeitado.

Mas o bom filho à casa torna. E voltou muito chique, até respeitado e traduzido no exterior: my name is Brazilian Minced Meat, mas pode me chamar de Picadinho!

Glamour brasileiro – Essa iguaria já encantou inclusive o dono do Antiquarius, o melhor restaurante do Rio de Janeiro. Uma das obras-primas atuais de sua cozinha é o picadinho carioca. Prato com data de nascimento e autoria incertas, foi sempre se aprimorando. Fez sucesso na década de 50, na Boate Meia-Noite, do Hotel Copacabana Palace. Ali foi saboreado pela boemia carioca e encantou grandes astros dos tempos áureos de Hollywood, que visitaram o Brasil: Errol Flynn e Tyrone Power, John Wayne e Orson Welles.

Segundo consta, a carne era cortada na faca – requisito obrigatório na receita – e cozinhava em panela de cobre. Levava cebolinha picada bem fininha, folha de louro, sal, pimenta, manteiga, tomate, manjericão, segurelha (alfavaca-do-campo) e alecrim. Ia à mesa num recipiente de barro, com arroz, agrião picado, pimenta malagueta, farinha de mandioca e ovo poché.

O picadinho do planalto – Este ficou famoso nas mesas do poder. Criação da Chef Roberta Sudbrack, era o prato preferido de Fernando Henrique Cardoso em suas refeições no Palácio da Alvorada.

Ingredientes: 1,5kg de filé, 8 colheres (sopa) de manteiga sem sal, 8 colheres (sopa) de azeite de oliva, 1 cebola picada, 2 dentes de alho picados, 6 tomates (sem pele e sem sementes) cortados em cubos, 60ml de tomates tipo italiano passados na peneira, 1 litro de caldo de carne, sal e pimenta do reino a gosto. Modo de preparo: corte o filé em cubos pequenos. Refogue numa panela com a manteiga e o azeite até dourarem. Tempere com sal e pimenta. Retire e reserve. Na mesma panela, refogue a cebola e o alho. Adicione o tomate em cubos e a carne já preparada. Refogue um pouco mais, junte o tomate peneirado e o caldo de carne aquecido, deixe cozinhar em fogo médio até encorpar. Sirva com arroz branco, farofinha de cenoura e banana à milanesa. Rendimento: 8 porções

Picadinho de pinhão – Aqui no Paraná, raríssimos os restaurantes que orgulhosamente apresentam Picadinho no cardápio. E não por falta de receitas, como esta, bem paranaense:

Ingredientes: Pinhões cozidos, carne em cubinhos, cebola, alho, pimenta, sal e cheiro-verde. Modo de preparo: Refogue todos os temperos e coloque a carne, junte os pinhões cortados em rodelas finas e acrescente um pouco de água, deixando-os cozinhar.

Até domingo e se você souber onde servem o melhor Picadinho de Curitiba, cartas para a Redação.

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