Olho no Livro

Dona Maristela Requião, como não faço outra coisa na vida além de desenhar e trocar figurinhas, gostaria de tomar uns minutinhos do seu tempo para trocar umas figurinhas, se me permite. Sei perfeitamente que a senhora está com uma agenda repleta, não só atendendo figurões, como também trocando outras figurinhas com sua equipe sobre futuros projetos para o Museu Oscar Niemeyer. Portanto, se as que eu tenho pra trocar já constam de sua coleção de idéias, ponho as minhas em baixo do braço e podemos virar a página.

Sem nenhum propósito de lhe apresentar uma idéia rara ou, digamos, uma “idéia-mãe”, pretendo apenas fazer lembrança de quanto o Museu Oscar Niemeyer seria propício para receber e abrigar uma grande Feira do Livro, nos moldes do maravilhoso evento que acontece anualmente em Porto Alegre e é referência nacional e internacional. Voltando no tempo, a nossa Praça Osório acomodou, durante anos, a FIEL, Feira Intercolegial Estudantil do Livro, organizada pelo padre Afonso de Santa Cruz, da Igreja do Rosário. Entre os maiores sucessos de venda estavam, por exemplo, os livros do então padre Emir Kalluf, seqüência do seu “Um Lugar ao Sol”, estrela do Canal 6, e das missas de domingo na Capela do Colégio Santa Maria, animadas pela execução de “Creio em Ti” pelo Paulo César Bottas. Lembra?

Agora mesmo, está acontecendo a Feira do Livro de Rua de Florianópolis. Realizada no Largo da Alfândega, junto ao Mercado Público de Floripa, com a presença das mais importantes editoras nacionais, em 78 estandes, e um público extraordinário que faz filas imensas para receber autógrafos dos nossos maiores escritores. Luiz Fernando Veríssimo não só bateu ponto durante três dias na feira, como também autografou o cardápio do Box 32, ali ao lado.

Se o Largo da Alfândega, em Floripa, ou a também Praça da Alfândega, de Porto Alegre, são locais até bem apetrechados para receber tamanha festa (sim, uma feira de livros é também uma grande festa da cultura), sem nenhuma modéstia, o nosso Museu Oscar Niemeyer seria espaço imbatível. O olho do gigante, assim elevado às alturas, um significativo símbolo e local para a exposição de escritores em dias e noites de autógrafos.

Mais ainda, não dá pra imaginar uma Feira do Livro, no nosso MON, apenas mostrando versos e prosas. No desenho de Niemeyer cabem perfeitamente, muito além do que se imagina, várias mostras de artes visuais, contemplando os grandes mestres ilustradores e artistas gráficos. De Poty Lazzarotto, que ilustrou tantas e tantas das principais obras da literatura nacional, até uma retrospectiva dos tantos ilustradores das obras de Monteiro Lobato. Seria ainda perfeito suporte, outro exemplo, para uma visão completa de toda a obra do cartunista e escritor Ziraldo. Avançando, as especialmente projetadas paredes do MON poderiam receber um respeitável apanhado da história e da evolução gráfica de capas de livros nacionais e internacionais, numa mostra de artes gráficas, com o nosso grande Miran de curador ideal.

Enfim, dona Maristela, o Paraná pode realizar uma completa Feira do Livro: do verso à prosa, até ao traço. Tudo emoldurado pelo museu do Centro Cívico, com seu entorno, incluindo o Bosque do Papa, servindo de palco para uma possível maior festa do livro brasileiro, com nome incluso: Olho no Livro.

Se não tomei seu tempo com figurinhas já repetidas, cordiais saudações e até quarta-feira.

DANTE MENDONÇA

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