No dia 12 de outubro do ano passado, esta coluna arriscou dizer que a transferência de Fernandinho Beira-Mar para Santa Catarina, naquela temporada, tinha uma justificativa: a celebridade do crime desejava participar da Oktoberfest e conhecer os destinos turísticos dos vizinhos ao sul. Dizia então, ?o Paraná que o aguarde!?.
Escrito está, os périplos de Fernandinho Beira-Mar fazem parte de um conluio entre o Ministério da Justiça e o Ministério do Turismo, com a intenção de mostrar o Brasil para os brasileiros. Poucos nativos conhecem os céus do Brasil como este turista acidental.
O endereço onde Fernandinho ficou hospedado em Florianópolis é dos mais chiques da ilha e o nome tem tudo a ver: na Beira-Mar Norte, ao lado da residência oficial do governador e com uma fantástica vista da baía. De Floripa a Blumenau é um pulinho. Prosit, Fernandinho Beira-Mar!
Não foi por falta de aviso. Alertamos ao governador Roberto Requião para preparar o quarto de hóspedes da Ilha das Cobras ou a suíte nupcial da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. Beira-Mar exige visitas íntimas padrão cinco estrelas, nada mais, nada menos.
O Paraná não poderia deixar de receber com mordomias tão ilustre ave de arribação. Esta singular parceria entre o Ministério da Justiça e o Ministério do Turismo não iria deixar de oferecer as Cataratas do Iguaçu e as belezas naturais da Costa Oeste aos belos olhos de Fernandinho Beira-Mar.
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Há dez meses, só não contávamos com a presteza com que o governo federal inaugurou o novo pólo turístico de Catanduvas. Um assombro, considerando-se que o Ministério dos Transportes levou mais de um ano para reconstruir a ponte arruinada do Capivari, uma lacuna rodoviária que atravancou a BR-116 e o progresso da nação.
Pontes terrestres não são o forte da burocracia estatal, os dirigentes têm especial predileção por pontes aéreas. Tal e qual esta que vai ligar Catanduvas à região metropolitana do inferno, operada pela PCCAir, e que vai levar à nossa Costa Oeste todas as celebridades do crime. João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador Arcanjo, chefe de uma organização criminosa de Mato Grosso e de profícuas relações com a fina flor da política tupiniquim, deve viajar com uma comitiva de sanguessugas do alto bordo. O insidioso intelectual Marcola tem passagem reservada na primeira classe, o que tem provocado certo júbilo nos meios letrados e manifestações de apoio nas catacumbas da internet: ?A importação de mentes brilhantes só tem a engrandecer a cultura paranaense: primeiro foi a migração para Curitiba do jornalista José Castelo, junto com o poeta Décio Pignatari, e agora o ideólogo do PCC Marcos Camacho, o Marcola, chega ao oeste.?
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A região da Costa Oeste, principalmente o povo do sudoeste do Paraná, há décadas vem clamando pela reabertura da Estrada do Colono, caminho que atravessa o Parque Nacional do Iguaçu, ligando Serranópolis do Iguaçu (oeste) e Capanema (sudoeste). Em 1986, a Estrada do Colono foi interditada e até hoje milhares de pessoas são obrigadas a contornar o parque, num transtorno de 200 km, para se chegar ao mesmo destino que poderia ser alcançado através de apenas 17 km da velha picada aberta em 1924.
Com a criação do novo pólo turístico, roga-se que as autoridades tenham sensibilidade e reabram a Estrada do Colono. Tenham dó: até as pacas, quatis, antas, capivaras e jararacas do Parque Nacional ensejam conhecer o moderno zoológico de Catanduvas.