Após os regulamentares dias de ressaca cívica, o melhor da festa é o atual burburinho dos secretariáveis. Os nomes se sucedem no mercado de apostas.
Não só na Boca Maldita, que cumpre a função de portal do “Inferno de Dante” onde morrem todas as esperanças -, como também, e principalmente, nas redações dos jornais o portal do Paraíso -, onde nascem todas as vaidades.
Uma notinha na coluna política é a glória. Imediatamente, o citado passa a ser personagem dos mais requisitados na vida social da cidade. É convidado especial para um churrasco na chácara do figurão, como também pra lingüiçada na oficina do figurinha.
Mais que uma notinha na coluna política, só mesmo a manchete dos jornais. Foi o que aconteceu anos atrás, quando da eleição do governador José Richa. Assim como hoje, os nomes se sucediam no mercado de apostas. A Boca Maldita tratando de execrar os de sempre e os colunistas especulando com uns e outros.
Até que um jornal aqui da capital desfralda sua manchete:
– Fulano da Silva Júnior é o secretário da Segurança!
Foi um estardalhaço geral: – Fulano da Silva Júnior? Ora, vejam… um nome de respeito, um insigne e considerado causídico. Por ele ninguém esperava, até a Boca Maldita ficou perplexa e sem palavras.
Passaram-se os dias e a pasta da Segurança ficou fora do círculo especulativo: Fulano da Silva Júnior já era tratado como secretário até na pastelaria do Mercado Municipal.
Veio a lista oficial do secretariado do Zé Richa, anunciada com pompas e circunstâncias, e cadê o nome do insigne e considerado jurista Fulano da Silva Júnior? Foi pras cucuias, como se dizia então.
Como no cinema, agora cortamos a ação, e passamos para semanas após a posse dos eleitos, nomeados e apadrinhados.
O editor-chefe do jornal, flanando faceiro pelos corredores do Mercado Municipal, encontra um também faceiro causídico, de nome insigne e considerado. O próprio Fulano da Silva Júnior, que saúda o editor, efusivamente:
– Meu caro jornalista, você não imagina como fui feliz com aquela tua manchete, quando fiquei secretário da Segurança por algumas semanas. Já no dia seguinte, um caminhão de entregas encostou no meu portão, com um carregamento de uísque dos bão. No outro dia, vinhos de toda a procedência e das melhores cepas. Sem falar nos mimos diversos, como canetas e isqueiros de ouro, relógios suíços, casacos de couro, com camisas e gravatas completando um guarda-roupa de fazer inveja ao Carvalhinho. Não fui nomeado, não devolvi nada e mais ainda: tenho até hoje, emoldurada em dourado, a primeira página do teu jornal com tão afortunada manchete.
Se você acha que a história é pura ficção, pergunta para o jornalista Mussa José Assis se é mentira?
Aliás, Mussa teve seu nome circulando no mercado de apostas, nesta semana, como futuro secretário da Comunicação. Quando um colega ligou perguntando se de fato teria sido convidado, Mussa não titubeou:
– Só se for pra secretário da Segurança. Pode espalhar. E não ponho na manchete do jornal porque seria jornalismo em causa própria.
TORCIDA ORGANIZADA
Ainda no mercado de apostas do novo secretariado, dois nomes despontam para ocupar a secretaria do Meio Ambiente:
– Sigrid Andersen, ex-vice de Rubens Bueno e ambientalista, indicada pelos VERDES.
– Doático Santos, ex-vereador, indicado pelos RUBRO-NEGROS.
Até quarta-feira. E pode espalhar que o colunista, infelizmente, não foi sondado nem pra ser caseiro da Ilha das Cobras.