Não queria voltar ao fim da picada, o desatino que rolou entre Lothar Matthäus e o fotógrafo Jader Rocha no saguão de um hotel cinco estrelas. ?A queda do rei da Baviera? – coluna de segunda-feira passada – é um filme triste que dispensa reprise. Porém, a frase final do roteiro original passou a exigir dois pontos, e mais alguns parágrafos.

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A internet é um mundo sem porteiras. Na sexta-feira passada, um leitor de nome William postou no blog do jornalista Juca Kfouri o texto de minha lavra, descrevendo a queda do rei da Baviera. É uma peste que se propaga: o internauta copiou-colou e enviou a Juca Kfouri, sem os devidos créditos. É doença infantil, digamos, e vem dando dor de cabeça e ânsia de vômitos em autores mais suscetíveis: Luís Fernando Veríssimo, coitado, bem sabe o quanto dói um ?cut/ past?. Ou copia e cola, e estamos conversados.

Juca Kfouri recebeu o texto e o editou em sua coluna no UOL, creditando-o a quem copiou e colou. Kfouri tem audiência cativa admirável, conquistada com seu carisma e talento. Imediatamente, centenas de leitores comentaram o entrevero entre a celebridade e o fotógrafo.

Naquele dia estávamos no Rio de Janeiro, lançando livros no Salão Carioca de Humor -Piadas de sacanear vascaíno (Para alegria de flamenguista) e Piadas de sacanear flamenguista (Para alegria de vascaíno) – com Luís Pimentel e ilustrações de Solda.

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Aos companheiros aqui da Redação da Tribuna, digo que os amigos são para essas coisas. Prontamente restauraram a origem e o real autor da crônica. Juca é atinado profissional – sabe que uma idéia na internet é um passarinho fora da gaiola, não tem dono e corrigiu os devidos créditos com esse título e texto de apresentação:

?Matthäus, primeiro rolo

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A notícia nem é nova, pois da sexta-feira passada. Mas o relato é delicioso e trouxe conseqüências, como restrições à cobertura do Atlético Paranaense, impostas por Mário Celso Petraglia, candidato a Eurico Miranda das Araucárias. Dê um tempinho para a leitura do que segue abaixo, de autoria de Dante Mendonça, publicado na Tribuna do Paraná. (http://blogdojuca.uol.com.br).

Estava lançada a polêmica, para além do Rio Atuba que define os limites de Curitiba.

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A proporção da discórdia faz lembrar ?A guerra do pente?, desatino coletivo que aconteceu no centro da cidade. O então governador Moysés Lupion instituiu campanha para aumento da arrecadação chamada de ?Seu talão vale um milhão?, onde o freguês juntava notas fiscais e trocava por cupom que daria direito ao sorteio de 1 milhão de cruzeiros. No dia 8 de dezembro de 1959, o subtenente Antônio Tavares, da Polícia Militar, comprou um pente pelo valor de 15 cruzeiros e exigiu a nota do comerciante libanês Harmed Najar. Houve discussão entre eles, o comerciante fraturou a perna do subtenente, a encrenca do pente tomou conta da Praça Tiradentes, e 20 lojas de árabes, judeus, italianos e brasileiros genericamente conhecidos como ?turcos? – foram depredadas, algumas destruídas.

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Juca Kfouri provocou outra ?guerra do pente?, agora entre desatinados torcedores de Atlético e Coritiba, com a participação especial da brigada paulista que ainda considera o Paraná a caduca 5.ª Comarca de São Paulo.

Para não deixar barato o objeto da discórdia, Kfouri passou ?pente fino? no personagem chamado Mário Celso Petraglia, o ?candidato a Eurico Miranda das Araucárias?. E vamos sublinhar a palavra candidato, na frase do jornalista. Não é, pode vir a ser! Que para os olhos da paixão nem mesmo sublinhar basta.

Os comentários que se seguiram, por parte de alguns outros desatinados, são próprios de banheiro de campo de futebol. Aliás, conversa de banheiro pode ser a maior diversão. Como essa de ontem, no Pinheirão, enquanto o Atlético perdia um pênalti e a partida, lá em Campo Mourão.

– Se Lothar Matthäus não voltar da Baviera, o Petraglia vai contratar técnico alemão de Blumenau. Fica mais perto, bem mais barato e o tradutor não precisa ser demitido.