O regime do “açaí”

Duas saias justas marcaram a entrega de premiação dos vencedores do II Festival de Humor Gráfico das Cataratas, no grande auditório do Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu. A primeira saia justa já se anunciava bem antes, quando o júri concedeu ao russo Yuri Ochakovsky, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio de US$ 10 mil dólares, e um site na internet insinuava que o cartunista bicampeão seria nome de fantasia de Rogério Bonato, o criador e organizador do festival. Claro, intriga e puro veneno da oposição, ciúmes provincianos provocados pelo sucesso do criador e criatura.

A segunda saia justa foi bem mais hilária. Na cerimônia de premiação, cujo terceiro lugar, com direito a um prêmio de US$ 3 mil, foi para a curitibana Pryscila Vieira – a melhor colocação de uma cartunista mulher em toda a história dos salões -, o público presente ao evento pôde se divertir com o show do Conjunto Nacional, banda que reúne os irmãos Paulo e Chico Caruso, o cartunista Aroeira, o escritor Luís Fernando Veríssimo e vários outros músicos. O show, mesmo com suas charges musicais detonando com o mundo político, num tiroteio à esquerda e à direita, não causou tanta saia justa quanto a apresentação do pernambucano Bione, numa versão "stand up comedy" nordestina: Bione fantasiado de jagunço pós-moderno, o microfone, e a platéia lotada de altas autoridades da república petista. Na primeira fila, o ator Sérgio Mamberti, representando o ministro Gilberto Gil.

O personagem de Bione contou a história de um pernambucano de Garanhuns, com emprego na Granja do Torto por ser da família Silva, primo de Luiz Inácio Lula da Silva. Com cama, comida e roupa lavada, na Granja do Torto, o primo de Lula, observador privilegiado, "contou tudo e não escondeu nada" acerca da primeira-família Silva. Das peladas domingueiras, das farras ministeriais e, principalmente, o indiscreto primo revelou a causa das gordurinhas acentuadas no abdômen do nosso presidente: ele está fazendo o regime do "açaí".

E do que consiste o regime do "açaí"? O primo de Lula diz que na Granja do Torto não se faz outra coisa, além de manter o regime do "açaí".

– Primo, "açaí" uma costela bem gorda!

– "Açaí " uma picanha!

– Primo, "açaí" uma maminha!

Esse é o regime do "açaí", contado pelo humorista Bione na cerimônia de premiação do II Festival de Humor Gráfico das Cataratas. O ator Sérgio Mamberti, representando o alto escalão petista, reagiu democraticamente, como deve ser: sorriu discretamente amarelo, aplaudiu comedidamente e, em compensação, quando subiu ao palco para entregar um dos prêmios, foi o mais aplaudido da noite.

Se todos conhecem e reverenciam o ator Sérgio Mamberti, é preciso dizer mais sobre o pernambucano Bione. Fundador e criador do Papa-Figo, mais antigo jornal de humor em circulação do Brasil, "faz o que todo humorista que se preza tem a obrigação de fazer: sacaneia a tudo e a todos, sem distinção de sexo, raça, religião ou estado de espírito. Até porque, e pensando bem, humor politicamente correto é coisa de bundão", nas palavras do escritor Luiz Pimentel.

Bione lançou em Foz do Iguaçu Humor à primeira vista, seu mais recente livro. Como dizem os músicos, vai aí uma pala. Ou, uma canja de Bione:

Na casa de Lula, o jantar é servido a gafe e faca. / Deus é americano. Ou muito omisso. / Não se enganem, companheiros: os últimos serão os derradeiros. / Mulher de amigo meu? Pra mim é hoje! / Marco Maciel está otimista com o PFL: "Temos um grande passado pela frente". / Vivia preocupado com o passado da mulher: era um corno retroativo. / No Brasil quando a esquerda briga com a direita, é o povo que toma no centro. / O homem é o único animal que pensa que pensa. / Rico ri à toa; pobre só quando a piada é boa. / O custo de vida está tão alto que pra comprar um litro de leite a gente tem que fazer uma vaquinha.

Até sexta-feira; com um registro: votei na nossa Pryscila.

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