No último debate entre os postulantes a uma sala no terceiro andar do Palácio Alvorada e a uma churrasqueira na granja do Torto, o atual inquilino se declarou um alienado. Lula era ignorante do que se passava na edícula onde o churrasqueiro predileto levava ao fogo a costela retirada de sua própria carne.
– De onde veio o dinheiro? – perguntou à queima-roupa um irreconhecível Geraldo Alckmin.
Conforme confidenciou o mediador Ricardo Boechat, nos momentos seguintes ao murro no baixo-ventre, Lula pensou em abandonar o debate. Não foi à lona, mas deixou no ar, em tom de lamúria, o desejo de – amanhã, depois, ainda um dia – descobrir quem urdiu a cilada em que teriam sido jogados os aloprados companheiros petistas. Entre eles o predileto churrasqueiro.
O dinheiro, as pistas são fortes, consta ter vindo das cuecas de contraventores zoológicos. Quanto aos autores da infame cilada, Luiz Inácio Lula da Silva estaria ciente da tramóia se tivesse consultado este colunista. Na coluna de 24/9/06, com o título de ?Conspiração Tabajara?, denunciamos a ardilosa conspiração para levar Alckmin para o segundo turno.
***
Vamos rememorar os fatos.
Tudo começou no apartamento de Fernando Henrique Cardoso, tendo por testemunhas Jorge Bornhausen, Tasso Jereissati e uma garrafa de uísque Red Label. Naquele happy hour, formavam o que se poderia chamar de uma natureza morta. Desolado, Jorge Bornhausen lia o noticiário esportivo quando foi interpelado por Tasso Jereissati:
– A única jogada milagrosa, nessa altura do campeonato, é o time do Lula fazer algum gol contra. Eles são especialistas em chutar a bola contra as próprias redes. Só o PT é capaz de derrotar Lula.
– Tasso, você é um iluminado! – ganhou ânimo FHC -Essa é a jogada milagrosa para levar o jogo à prorrogação. Só nos basta rolar a bola para o PT chutar contra as próprias redes! Acompanhe a minha tese: o brasileiro tem memória fraca. O único escândalo que ainda está na boca do povo, por ser muito recente, é a falcatrua dos sanguessugas. Um lamaçal que pode respingar em todos nós, percebem? Especialmente no Zé Serra. E quem poderia ter munição para derrubar o nosso ex-ministro da Saúde? Não vamos nos esquecer: o PT paulista admite até perder a Presidência da República, nunca o governo de São Paulo. O objetivo da caça está em Brasília, armas e munições estão em São Paulo e a arapuca será armada em Cuiabá. Este é o plano.
– Percebi! – retrucou Jereissati – A arapuca é Luiz Antônio Vedoin, o chefe da máfia. Só ele poderia fornecer provas que possam ligar Zé Serra aos sanguessugas. Se os petistas souberem que Darci e Luiz Vedoin têm em mãos documentos que revelem o comprometimento dos tucanos, eles fazem qualquer negócio para virar o jogo em São Paulo.
– Bingo! Primeiro passo: é preciso chegar aos ouvidos de Vedoin que, se ele possuir provas de falcatruas do Serra, o PT pagaria uma fortuna por elas. Segundo passo: os petistas precisam ficar sabendo que Vedoin botou à venda um dossiê por dois milhões de reais, mas aceita contraproposta. Terceiro passo: soprar nos ouvidos da Polícia Federal que uma negociação escabrosa se desenrola entre Vedoin e a coordenação nacional da campanha do Lula.
– Até aí tudo bem – retrucou Tasso Jereissati – Mas será que os petistas são tão burros para acreditar nesse conto do vigário?
– Caro Tasso, você está superestimando a inteligência deles. Eles são mais que otários, a cúpula petista costuma dar milho pra bicicleta.
***
Essa é a verdade dos fatos; e se o presidente quiser saber de mais detalhes, dizem existir gravações clandestinas da conspiração, realizada pelo araponga das araucárias que ajudou a levar o governador Requião ao segundo turno.