O polaco, o ucraniano, o doutor e o Pronatec

Dona Júlia, a mãe do mineiro e ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, era neta de Jan Nepomusky Kubitschek, o “João Alemão”, um marceneiro natural da Boêmia. Dilma Rousseff, também mineira, é filha do búlgaro Pedro Rousseff.

O polaco Stacho sabe por experiência própria que a origem não garante o produto. Juscelino foi o melhor presidente da história brasileira, mas foi crucificado em vida por muito saçaricar nos salões e ter construído Brasília. E o próprio Stacho votou no Jânio Quadros, com garantia de que ele só bebia uísque de origem escocesa e, por infelicidade, o fornecedor do Palácio Alvorada era paraguaio.

Mesmo assim, considerando-se que Fernando Henrique tinha um pé na cozinha onde a mãe do Lula esfregava o chão, o polaco Stacho espera que Dilma Rousseff deixe para a posteridade a mesma sensação de felicidade com que Juscelino é lembrado.

Respeitado observador político, desde o tempo em que era motorista da sucursal do jornal Última Hora em Curitiba, o polaco Stacho tem sua própria versão para os fatos da revolução de 64: “Começou quando Jânio Covadros foi ver parada de soldado. Soldado ponhou facão no barriga dele e disse pra ele se arrancar! Se conta de novo essa história de força oculta vai se arrepender! Aí foi que Jânio Covadros pegou o boné, a garrafa de uísque paraguaio e se arrancou”.

Todo esse palavrório acima surgiu no bar do Popadiuk, no Bigorrilho, quando perguntaram ao Stacho:

– Afinal, quem seria o presidente da República que o Brasil merece?

– Quem era, digo eu, porque ele, hoje, só existe na literatura. Chama-se Gregory Petrovitch Bogoloff, o personagem do livro “Aventuras do Dr. Bogoloff”, do escritor Lima Barreto.

– Era polaco?

– Era ucraniano. Quando a Ucrânia pertencia ao Império Russo, Bogoloff partiu de Odessa e chegou ao Brasil em 1905 com um terno de veludo e a bunda de fora. Da alfândega, foi encaminhado para Prudentópolis, composta por polacos, russos e, na maioria, ucranianos. Assim que chegou, o professor Bogoloff derrubou o mato e ergueu uma casa de madeira. Quando um dos administradores da colônia soube que Bogoloff tinha estudado na Universidade de Kazan, aconselhou-o:

– És um tolo, Bogoloff! Devias exigir ser tratado como doutor!

– De que serve isso?

– Aqui, muito! No Brasil, é um título que dá todos os direitos, toda a consideração, mesmo quando se está na prisão. Conhecido como doutor, terias um lote melhor, melhores ferramentas e sementes. Louro, doutor e estrangeiro, ias longe!

– Moral da História – disse o polaco Stacho aos seus discípulos do Bar do Popadiuk. Do Juscelino pra cá, o Brasil mudou tanto que doutor já teve o seu valor. Hoje, quem não tiver um diploma do Pronatec tem vaga garantida nas estatísticas de desemprego.

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