O fotógrafo Orlando Kissner tem nome alemão, cara de polaco, nasceu entre polacos e desde guri tem o apelido de Polaco. Sem nenhum favor, este Polaco é um dos maiores fotógrafos esportivos do Brasil, com passagens pelos principais jornais e revistas de circulação nacional. Atualmente é o ?olho mágico? desta Tribuna e jornal O Estado do Paraná.

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Por estes dias, corre na internet piada acerca do piá que sai de casa com a tarefa de pagar as contas de água e luz. A anedota é ótima, porém, existe versão na qual o protagonista é o próprio Polaco Kissner, conforme, também, suspeitam os fotógrafos César Brustolin, Sérgio Sade e o escritor Manoel Carlos Karam. De um jeito ou de outro, na biografia não autorizada de Orlando Kissner a história é a seguinte:

A família Kissner é uma das mais tradicionais do Bigorrilho, onde também nasceu o fotógrafo: na Rua Padre Agostinho (polacos dizem ?padre gostosinho?) com Cândido Hartmann numa das esquinas da Praça da Ucrânia.

Ali, onde hoje existe uma selva de pedras, antes a paisagem era dominada por pinheiros, campinhos de futebol e um rosário de casas de madeira, de arquitetura típica do imigrante eslavo.

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Num belo dia de inverno, o velho Kissner deu ao filho Polaco algum dinheiro para pagar as contas de luz e água. Era a derradeira data para acertar as contas, antes do corte. Também era o dinheiro contado para as despesas fixas, porque com alemão é assim: tudo na ponta do lápis.

Polaco desceu a rua ?padre gostosinho? chutando lata. Atravessou o ?campo do Poty?, onde hoje é a Praça 29 de Março, e entrou na Rua Fernando ?amoreira? também conhecida como ?rua dos chorrrrões? , em direção à Praça Osório.

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Ali, em torno do centro da cidade, é que se faziam todos aqueles pagamentos. Enquanto contornava a praça, o guri avistou na esquina a cartolina de propaganda anunciando sorteio:

Compre um bilhete e concorra a dois carros!

Num ímpeto, deu na telha do Polaco de fazer um agrado ao velho Kissner: ?Puxa, eu bem que devia ganhar esses dois carros pro meu pai!?. Menino maluquinho, entrou na lotérica, sacou o dinheiro das contas e comprou um bilhete.

Chegou em casa quase noitinha, depois de assistir a uma pelada que se desenrolava no miolo da Praça Osório, e foi correndo contar ao pai que no dia seguinte a família iria ganhar dois carros.

O velho Kissner puxou de uma cinta larga de couro de jacaré e quase matou o polaquinho de tanta cintada.

Mama Kissner deu banho de salmoura no piá, que depois comeu duas fatias grossas de pão com banha e chorando foi dormir. Na manhã seguinte, com a geada ainda pingando dos galhos do pessegueiro, Polaco foi o primeiro a se deparar com a grande surpresa: havia dois carros em frente à casa da família.
Um carro da Copel, outro da Sanepar.