Tudo na vida tem o seu lado bom – a não ser os discos de Zezé di Camargo e Luciano ou outros de sua livre escolha. A campanha eleitoral pela tevê não foge à regra e tem o seu lado ótimo. Sexo, por exemplo. Muito sexo.

O jornal italiano La Repubblica acaba de publicar uma reportagem onde cientistas e pesquisadores confirmam os efeitos saudáveis de se fazer sexo, ao menos três vezes por semana. Fazer amor alonga a vida e deixa as pessoas mais inteligentes e felizes, resume a pesquisa.

Portanto, aproveite o horário eleitoral obrigatório para fazer sexo, isso faz bem à saúde. Fazer amor sempre, todos os dias, melhor ainda. Mas se isso não for possível, faça amor pelo menos três vezes por semana. O sexo não faz apenas um bom efeito genérico, como também previne certas moléstias, alongando a vida. Ainda: fazer sexo é melhor que tomar duas aspirinas e, o melhor de tudo, deixa os parceiros mais inteligentes.

É um santo remédio, garantem numerosos e notáveis pesquisadores científicos. David Week, pesquisador do Royal Hospital de Edimburgo, na Escócia, explica que fazer amor ao menos três vezes por semana prolonga a perspectiva de vida em dez anos, na média. Por quê? Faz bem à saúde e, mais precisamente, previne o câncer da próstata, protege da diabete, da hipertensão, de problemas cardiovasculares, evita a dor de cabeça e favorece o desenvolvimento do sistema nervoso. Este cientista escocês não é o único a indicar a terapia do sexo: uma equipe de médicos australianos – diz o jornal La Repubblica -também sustenta que o orgasmo regular reduz em 30% o risco de tumores na próstata; um estudo da Rutgers University de Nova Jersey demonstra que um orgasmo, graças à abundante produção de endorfina, tem o mesmo efeito de duas aspirinas; para o instituto de pesquisa médica Werner Habermehl, de Hamburgo, o ato sexual regular desenvolve a inteligência, mérito do aumento da produção de adrenalina, estimulante da massa cinzenta.

A tese foi destaque na Europa e matéria de capa e de uma longa reportagem do maior semanário de informação francês, o Le Express. Não por acaso, pois é nos meses de julho e agosto, período de férias na Europa, a época em que os franceses mais fazem sexo e, principalmente em Paris, onde aumenta a venda de preservativos.

Sexo é bom, não faz mal, e, além do prazer, deixa os amantes de bem com a vida, explica Marianne Salleron, psicóloga da Associação Francesa dos Centros de Consultas Conjugais: “Desenvolve a generosidade, a suavidade, a vontade de aprender, de descobrir, de estar em contato com a vida”. E aqui Marianne defende uma tese polêmica: “Mesmo se os parceiros se declarem apaixonados e vão ao leito com outra pessoa, a ciência tolhe o direito de um deles se sentir traído e enraivecido”.

Para os infiéis, é um bálsamo. Os pesquisadores distinguem três tipos de amor: o desejo sexual; a paixão por uma pessoa em particular; e o afeto que faz dividir a própria vida com um outro. Como esses três tipos de amor dependem de mecanismos neurobiológicos diversos, não é culpa amar contemporaneamente pessoas diferentes, de “sentimentos” diversos.

Para quem tinha alguma dúvida, agora a dúvida ficou maior ainda. Sociologicamente, não é bom espalhar essa teoria, especialmente na própria casa. Porque o discurso deixa de ter um fundamento científico e passa a ser um caso de polícia. Cada caso é um caso, e um caso pode trazer dor de cabeça e fazer muito mal ao bolso, pense bem.

Deixando de lado a polêmica, vamos nos ater à unanimidade: que os candidatos discursem aos sofás e vamos para a caminha. Com o perdão da palavra, sacanagem por sacanagem, a saudável sacanagem consensual entre quatro paredes.

O paciente adentra ao consultório médico e desabafa:

– Doutor, não entendo o que acontece comigo: sei de cor e salteado nome e número de todos os candidatos, digo de trás pra frente todos os planos de governo e não consigo sair da frente da tevê durante o horário eleitoral obrigatório. O que se passa, doutor?

– Simples: disfunção erétil.

Até sexta-feira; e faça amor, não faça guerra eleitoral.

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