O inferno de Requião e o inferno de Dante

É o inferno astral, governador Roberto Requião. Modestamente, e sem nenhuma pretensão – além do antigo desejo de ser nomeado caseiro da Ilha das Cobras -. venho por meio desta lhe oferecer consolo e solidariedade. Conheço este calvário, pois somos do mesmo signo: nasci em 4 de março de 1951, o senhor no dia 5 de março 1941. Noves fora, e nestas alturas do campeonato, somos quase da mesma idade. É o inferno astral que atravessamos, com a diferença de que o meu pode terminar amanhã e o seu talvez depois de amanhã ou então no fim do atual mandato.

Outra diferença dos infernos é que o seu alcança temperaturas baianas: fogueira no Porto de Paranaguá, onde botaram Eduardo no caldeirão, curto-circuito nas relações com o ministro Roberto Rodrigues, possível explosão da passagem do ônibus metropolitano, a abrasante sucessão municipal em Curitiba, uma incendiária greve dos professores; é o inferno astral, governador!

O meu inferno tem baixos teores: justamente no dia de meu aniversário inaugurei uma minimalista exposição de aquarelas marinhas no Bar Ao Distinto Cavalheiro: “O mar na mesa do bar.” Pra variar, choveu. Mesmo assim, foi um sucesso de público e um fracasso de vendas. O Jaime Lerner não apareceu. De vingança, também não dei o ar de minha graça na noite de autógrafos do livro dele. Aguardo dias melhores, a exposição vai até 3 de abril, mas até agora vendi apenas 15 das aquarelas. A oposição já anda espalhando que, pelas contas do meu “marchand”, não consigo pagar a conta do boteco. Nem com permuta. Foi o início do meu inferno astral. Otimista, conto com a sua presença no boteco, governador. Não para incrementar as vendas, é claro, mas para tomar um chope e comemorar um final feliz deste inferno astral. Dona Maristela é muito bem-vinda. Quem sabe sou convidado a expor (ao ridículo) no Olho do Museu Oscar Niemeyer.

Pra completar meu inferno astral, companheiro governador, e como desgraça pouca é bobagem, recebo a nefasta notícia de que Mário Celso Petráglia decidiu implantar no Atlético Paranaense a PPP (Parcerias Público-Privada), nova traquitana do companheiro Lula. Um eufemismo petista para completar a obra neo-liberal de FHC. O primeiro resultado concreto desta PPPP (Parcerias Público-Privada do Petráglia) é que o ingresso mais modesto na Arena da Baixada vai custar 30 reais. Sinceramente, governador, vamos botar mais um P na famigerada sigla: PPPPP (Parcerias e Perversidades Público-Privada do Petráglia).

Tamanha perversidade, não acomete nem aos bingueiros. No bingo, assim como no futebol, se ganha, se empata, se perde; mas não se cobra tão escorchante ingresso. Não sei a data de nascimento do jornalista Augusto Mafuz. Imagino que, para os cartolas, ele tem alguma coisa a ver com câncer. Sei que ele exorcizou o inferno astral da torcida atleticana na coluna do jornal: “O valor de 30 reais vai criar um problema social, afastando o torcedor como um excluído. Problema social grave em um país no qual o futebol é o esporte mais popular. Problema social que agride sentimentos, pois subtrai o direito de ver, torcer, sorrir e chorar pelo seu clube de coração.” E completou: “Entendo que é um problema de ordem pública, não obstante o Atlético ser uma entidade privada. A causa de sua existência é eminentemente pública, pois inexiste sem a torcida. Ontem, soube, que o governador Roberto Requião mandou a sua assessoria estudar o caso. De repente, surge uma última esperança.”

Pois é, governador: como se não bastasse o caldeirão de Paranaguá, agora Augusto Mafuz lhe empurrou o caldeirão da Baixada.

Dando a lamúria por finda, reitero o convite para tomar um chope e comemorar um final feliz desse nosso inferno astral e até quarta-feira.

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