A torcida paranaense nunca assistiu final de tarde de domingo tão silencioso em toda a sua história. E não foi pelo resultado das urnas, que a vitória de Roberto Requião tinha tudo para ser decidida no photochart, na raspa do focinho, nariz com nariz!

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Os paranaenses ficaram na torcida, isto sim, quem seria o fogueteiro vencedor do Paraná. Doático Santos de um lado, o fogueteiro oficial de Roberto Requião. Na outra banda Gerson Guelmann, o fogueteiro de Osmar Dias. Num silêncio de cemitério, os dois experientes pirotécnicos viveram o drama. Foram momentos de angústia, voto a voto, minuto a minuto, na expectativa de acender o pavio de dois arsenais de fogos de artifício jamais vistos no Paraná, e que dividiu os estoques de Curitiba meio a meio. Desde o dia anterior, já não havia mísero traque disponível nas boas casas do ramo, nem mesmo para a torcida atleticana comemorar a goleada que humilhou o Paraná Clube.

Para iluminar os céus de Curitiba, os fogueteiros passaram a manhã alinhando os rojões. Só foram votar no início da tarde: Gerson Guelmann votou exatamente às 12h45. Doático Santos depositou seu voto na urna pontualmente às 15h13.

Minutos mais que reveladores quanto aos números de seus candidatos, impossível.

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Eram sete da noite, com 99,9% das urnas apuradas, quando o fogueteiro Doático Santos largou um santinho amarfanhado de Santo Expedito para atender o tão aguardado – e chorado -telefonema da Granja do Cangüiri, onde Roberto Requião protegia os ouvidos

do rojão do champanhe estupidamente gelado.

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– Doático, não desova todo o estoque! – disse o governador eleito na raspa do tacho – Guarda uma parte, porque a partir de amanhã você está incumbido de soltar rojões diariamente na frente da Prefeitura de Curitiba.

– E se o Beto Richa não gostar do barulho?

– Manda reclamar com o bispo ou com o Rafael Greca!

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 Enquanto isso, já de pavio curto com a marcha apertada das apurações, o fogueteiro Gerson Guelmann recebia a notícia de que o Doático já estava soltando foguete e buscando a varinha:

– E agora, o que é que eu faço com o estoque?

– Despacha para o Mário Celso Petraglia! O Furacão vai precisar para a final da Copa Sul-Americana.

– E a conta?

– Manda a nota pro vice Donin! Ele que assuma o prejuízo!

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Menos mal, Gerson Guelmann é um tucano de bom humor. Enquanto recolhia caixas e caixas de Caramuru, aqueles que para Osmar Dias deram o maior chabu, o fogueteiro ainda teve tempo para fazer uma piadinha federal:

– O nosso chuchu caiu da cerca! Mas Lula não é reeleito. É um repetente!

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A diferença foi tão apertada, mas tão apertada, que os institutos de pesquisas ficaram numa saia justíssima com os foguetes que soltaram na boca da urna. Queimaram a cara e os rojões do Ibope e do Datafolha deram o maior chabu. E nesse aspecto os fogueteiros Gerson Guelmann e Doático Santos são mais confiáveis. Enquanto lidam com fogos de artifício, as pesquisas eleitorais lidam com números de artifício.