As cidades estão cada dia mais entupidas. Não só de gente, mas especialmente de gente dirigindo carro. Um carro, um motorista. Quando notamos um carro com um motorista e um passageiro, não há dúvida: o passageiro está realizando um assalto relâmpago. Quando, por um milagre, nos deparamos com um carro e mais três passageiros, então é grave: os três passageiros fazem parte de uma gangue de seqüestradores.
E assim passamos os dias, não reclamando do excesso de carros, mas sim da carência de túneis, passarelas, ruas, avenidas e dos horrores do transporte coletivo.
Agora, do automóvel não temos queixas. Ou você já ouviu falar de algum garoto reclamando do carro novo que ganhou do papai? Ou da dona de casa indignada por ter sido sorteada com automóvel na promoção do shopping e já não sabe o que fazer com mais um carro novo na garagem?
Com a crise, e apesar da crise, cada dia fica mais fácil comprar um automóvel. São tantas as ofertas para a compra do carro zero, que os preços anunciados são quase escandalosos, não fossem mais escandalosos os nossos salários. Uma concorrência selvagem, de deixar o mercado de bananas alarmado. E o feliz comprador de um carro zero, o mais mimado do planeta. Objeto dos mais criativos e mirabolantes estudos de marquetingue: se o distinto realmente manifestar intenção de compra, ganha flores, chocolates e um convite para jantar no próprio restaurante da concessionária. Só que o restaurante da concessionária funciona dentro da mais perfeita ordem capitalista, como deve ser: não existe almoço de graça.
– Pois não, o cavalheiro já consultou o cardápio?
– Bem, eu gostaria de um prato bem simples. Um filé com fritas, uma porção de arroz, um ovo frito e uma cerveja. Mas aqui diz que o preço é de apenas um real. Não acredito…
– E sem juros, cavalheiro.
– Então pode fazer o pedido.
– O senhor vai querer o filé cru?
– Como assim, filé cru? Eu quero o filé no ponto.
– Ao ponto, são mais 20 reais. Bem passado, 22 reais.
– E com fritas?
– Com fritas, são mais 10 reais.
– Uma porção de arroz… deixa eu adivinhar: mais outros 5 reais.
– Exatamente, cavalheiro. Já o ovo custa 4 reais.
– E a cerveja? Eu quero da mais barata.
– Perdão. Só temos original. É um pouquinho mais cara, 5 reais, mas é original.
– Somando, o almoço fica em 44 reais.
– Mas o cafezinho é por conta da casa, doutor!
– E o som?
– Bem, o couvert artístico é à parte, pois a música aqui no restaurante é ao vivo. Música, maestro!
O CÉU É O LIMITE (2) – Um rapaz está no portão do céu, esperando para ser admitido, enquanto São Pedro folheava o livro sagrado, checando toda a vida dele para ver se ele foi um garoto de valor. Depois de um bom tempo, São Pedro olha serenamente para ele e diz:
– Não vejo nada que seja realmente ruim em sua vida, mas também não há nada que seja realmente bom. Se você conseguir provar que fez algo realmente bom, você poderá entrar. O rapaz pensa por alguns instantes e diz:
– Hum… Teve uma vez que estava à procura de emprego e fui fazer um teste numa empresa na Cidade Industrial de Curitiba. Na volta, era início de noite, vi uma gangue mexendo com uma garotinha indefesa. Diminui a velocidade para ter certeza do que estava acontecendo e vi uns oito rapazes tentando tirar as roupas da mocinha. Parei meu carro e chamei a polícia. Mas como a menina estava pra ser estuprada, peguei um bastão de beisebol do porta-malas e fui em direção dos marginais. Quando me aproximei, a gangue formou uma roda em volta de mim. Fui pra cima do mais grandão e dei-lhe uma pancada com meu bastão. O cara foi pro chão com um só golpe. Depois disso, eu virei para todos eles e disse:
– Deixem a garota em paz! Vocês não passam de uns bananas! Voltem para suas casas antes que eu perca a paciência e acabe com todos vocês, seus covardes!
São Pedro, realmente impressionado, perguntou:
– Poxa.. . E quando foi que isso aconteceu ?
– Ah, faz uns dez minutos!
Até domingo e cuidem-se!