O cerco da soja

O entrevero transgênico tomou proporções nunca dantes imaginadas depois de o governador Roberto Requião entrar em cena e, no melhor estilo John Wayne, incrementar o tiroteio no Brasil e no mundo. De Paris, o jornal francês de esquerda Libération dedicou três páginas para explicar como o presidente Lula teria sido “geneticamente modificado pelo poder”. Diz o Libê que o cientista Duda Mendonça transformou Lula num produto transgênico.

No Mercosul, os argentinos ainda comemoram a proibição da soja transgênica no Paraná com foguetório na Plaza de Mayo. Assessores econômicos de Néstor Kirchner apostam suas fichas na contravenção internacional, com a Argentina triplicando as exportações de soja contrabandeada. Tensa é a situação no Paraguai, onde o povo quer afogar Roberto Requião no Lago de Ypacaray. Multidões acorrem à tumba de Solano Lopez, no ensejo de pedir ao ditador que lidere a marcha para a tomada de Paranaguá e guarde em masmorras todos os Requiões. Inclusive os da papelaria.

Varrendo a soja transgênica para o ralo, Roberto Requião ganhou mais manchetes do que a própria Secretaria de Comunicação do governo paranaense esperava. Rendeu não só manchetes em pequenos jornais provincianos, tipo O Estado de S. Paulo, como também nos maiores rotativos nacionais, entre eles os poderosos diários O Bravo, de Castro, O Planeta, de Varginha (MG) e O Município, de Brusque (SC). Apesar da firme diretriz do governo Lula, não se posicionando nem a favor nem contra, muito pelo contrário, vários estados da federação já se posicionaram.

No Rio Grande do Sul, onde o levante transgênico teve início, agricultores já entraram na clandestinidade, com o objetivo de tomar o poder a partir do campo. Estocam armas, munições e toneladas de sementes de soja argentina contrabandeada.

Em Santa Catarina, as autoridades não estão preocupadas, pois “soja não dá na praia, viste?”. Teme-se apenas que a multinacional Monsanto comece a produzir também sementes transgênicas de ostras e mariscos. Todas as atenções das autoridades catarinas estão voltadas para a armadora Island Cruises, que está anunciando seu primeiro cruzeiro exclusivamente para solteiros com destino a Santa Catarina, entre 8 e 10 de abril de 2004, com escalas em Porto Belo e Florianópolis. O navio é o Island Scape, que zarpará de Santos. A multidão de solteiros a bordo é o principal assunto da imprensa local. O Diário do Litoral, de Itajaí, noticiou o fato, mancheteando: Porto Belo e Floripa participam do turismo da putaria!

Em São Paulo, a única preocupação é com o transgênico argentino casado com a prefeita Marta Suplicy. “Mas o foco está sob controle, com um salário de 20 mil mensais, casa, comida da boa, e roupa lavada”, afirma o cientista Duda Mendonça.

No Rio de Janeiro, a proibição dos transgênicos no Paraná caiu como uma bomba de uso exclusivo das forças armadas, entre os traficantes. É só o que se fala nos morros. Executivos do tráfico querem mudar o barraco para o Paraná, onde pretendem lidar apenas com jogo do bicho e soja transgênica.

Em Minas Gerais, ninguém toca no assunto. Faz sentido.

A Bahia é o único estado onde os transgênicos não preocupam, pois não existe a mínima possibilidade de encontrar algum baiano disposto a pegar na enxada para plantar qualquer espécie de coisa.

Nas Alagoas, a exemplo do Paraná, o governo também botou os bagos (como dizem eles) na clandestinidade. Mas com outras intenções: como não produzem um pé de soja, imaginam ganhar uma grana preta criando uma máfia da soja, sob o comando dos PCs remanescentes.

Até domingo, Luigi Poniwass, com duas ou três coisas que eu sei sobre Curitiba e os curitibanos.

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