A crucificação, por Salvador Dali.

Este próximo domingo marca a entrada no advento, o período de preparação para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo o calendário litúrgico, o advento é celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal, a festa da encarnação.

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O advento é momento de esperança, anuncia a vinda daquele que veio ao mundo para nos salvar. Enquanto os atleticanos se rejubilam com o reino dos céus, os coxas atravessam o calvário da paixão. Na Baixada, bimbalham os sinos do natal e estocam-se milhares de foguetes para o anúncio daquilo que é tão esperado. No Alto da Glória, vive-se um tempo de quaresma, o tempo litúrgico de penitência, que a igreja marca para nos preparar para a páscoa. É o tempo de se arrepender dos pecados cometidos e de mudar algo para se tornar o melhor entre os melhores e poder viver mais próximo do paraíso em que agora se encontram os fiéis atleticanos.

A quaresma dura 40 dias. Começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira santa. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência, a cor transmudada da histórica camisa verde do glorioso. Para os atleticanos, os coxas estão pagando seus pecados neste início do advento. Para os coxas, é um tempo de reflexão, onde devem recapitular os erros cometidos no passado.

Inverteu-se o calendário. Na páscoa, os atleticanos estavam trilhando um calvário de doze rodadas no campeonato, penando no fogo da lanterna. Mário Celso Petraglia era o judas, os torcedores eram os crentes vivendo os momentos dolorosos da paixão, enquanto os coxas viviam momentos natalinos, com o Couto Pereira transformado em presépio.

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Inverteram-se os papéis. Neste advento, Giovani Gionédis é próprio judas, o apóstolo que leva o time à cruz da segunda divisão, em troca dos trinta dinheiros obtidos com a venda de seus mais destacados e valorosos apóstolos. No reverso, Mário Celso Petraglia é agora o jeová, o senhor todo-poderoso que transformou água em vinho, ressuscitou um morto na segunda divisão e fez andar um time aleijado até os píncaros da Libertadores da América. Glória a Deus nas alturas, oram os rubro-negros, ajoelhados diante do moderno templo da Baixada. Amém, responde o salvador da galera.

Em Curitiba, cada um tem a sua cruz. Seja ela qual for. Paulo Leminski tinha a Cruz do Pilarzinho, Fernandinho Bumbo tem a Cruz Machado, e os coxas têm agora a pesada cruz feita com as traves do Estádio Couto Pereira, além da coroa de espinhos que representa o escárnio dos adversários.

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Se a fé remove montanhas, na igreja do Perpétuo Socorro os ainda crentes oram aos céus, à espera de um milagre, porque o filho de Deus veio à terra para nos salvar. E Ele não só existe, como também é justo e bom.

Alviverdes, ouçam as palavras Dele. Todo filho de Deus já se sentiu desencorajado e até desesperado quando as coisas vão de mal a pior. Mas Ele age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Agora que o povo coxa-branca sente que tudo está perdido, esse pode ser o momento da graça divina.

Para cada pensamento negativo, Deus tem uma resposta positiva: o incrédulo diz: ?Isso é impossível?. Deus diz: ?Tudo é possível? (Lucas 18:27). ?Eu já estou cansado?. Deus diz: ?Eu te darei o repouso? (Mateus 11:28-30). ?Não tenho condições?. Deus diz: ?Minha graça é suficiente? (II. Corintios 12:9). ?Não vejo saída?. Deus diz: ?Eu guiarei teus passos? (Provérbios 3:5-6). ?Eu não posso fazer?. ?Você pode fazer tudo? (Filipenses 4:13). ?Não vou conseguir?. Deus diz: ?Eu suprirei todas as Tuas necessidades? (Filipenses 4:19). ?Estou com medo?. Deus diz: ?Eu não te dei um espírito de medo? (II. Timóteo 1:7). ?Não tenho fé. Deus diz: ?Eu dei a cada um uma medida de fé? (Romanos 12:3).

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Irmãos do Alto da Glória, oremos!