“Cada cabeça, uma sentença!” – deve ter dito o carrasco de Maria Antonieta, antes de cortar os cabelos da austríaca, que depois foram queimados para não servir de relíquias. Assim como na revolução francesa, o que não nos falta são opiniões contra e a favor do impeachment de Dilma Rousseff – a Maria Antonieta da monarquia petista.

Cartomantes do Tribunal Revolucionário Tucano veem como certa a decapitação de Dilma Rousseff. Dizem que os deputados da base aliada são como cracas que se grudam ao casco da primeira embarcação de grande porte que passar ao largo da nau governista que, à deriva, mais cedo ou mais tarde deve ir a pique.

Por outro lado, não há como negar que os marqueteiros a soldo do governo estão ganhando a guerra de comunicação com o truque de velhos carnavais: escolheram o adversário certo para bater, ao nomear o deputado Eduardo Cunha como o autor do pedido de impeachment; e não os juristas Hélio Bicudo e Reale Jr. Assim disposto, Dilma se posicionou para a batalha: “Eu não tenho conta na Suíça; ele tem. Ele é ladrão; eu não sou”. O bandido contra a mocinha.

Como não tenho o diploma de comunicação e marketing, nem mesmo sou analista político – pois não passo de especialista em abobrinhas e generalidades -, fui buscar o parecer de quem é doutor na matéria. Para o consultor de marketing político e professor Emmanuel Publio Dias, há que se reconhecer a aplicação correta de uma das mais eficientes teorias da comunicação e marketing: o posicionamento.

Na mesma noite em que o presidente da Câmara anunciou que admitiria o início do processo sucessório, a presidente Dilma, ladeada por todo o primeiro escalão de seu governo, deixou claro quem era seu inimigo: o deputado Eduardo Cunha. Neste momento, ela propôs com sucesso uma troca de cenários e valores: já não era mais um governo considerado responsável pela crise e rejeitado por 2/3 dos brasileiros. Era uma presidente legitimamente eleita e sobre quem, efetivamente, não há prova de comportamento ilegal. Contra um deputado diariamente confrontado com a denúncia de práticas ilegais, aliado ao argumento de que agiu apenas por vingança de não ter tido sucesso em seus objetivos chantagistas.

Na sabedoria popular, o medonho Eduardo Cunha parece o bode na sala da Dilma. Para resolver uma encrenca, foi preciso inventar uma encrenca maior ainda. É a história da família que, vivendo apertada em uma casa minúscula, foi aconselhada por um palpiteiro a botar um bode no meio da sala. Como a vida se tornou insuportável, o palpiteiro mudou de ideia e mandou botar o bode na rua. Sem o intruso, a família respirou tão aliviada que o problemão virou um probleminha. Todos pararam de lamentar o desconforto da casa em pandarecos e festejaram a brilhante ideia do palpiteiro.

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