Parecia uma noite de estréia. Lala Schneider foi recepcionada no Grande Teatro Celestial com uma festa raramente vista no Paraíso. Depois de percorrer um longo tapete vermelho, a grande dama do teatro foi consagrada no Reino de Deus.

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Sob aplausos de uma multidão de amigos, Lala Schneider recebeu um buquê de flores das mãos de outra grande atriz paranaense, Lurdes Bergman e, em nome de todos os presentes, foi saudada pelo velho companheiro de palco Maurício Távora: ?Os que ficaram estão sentindo tua falta. Mas eles que sejam generosos, como você sempre foi, e que se conformem; porque agora nós vamos comemorar a tua presença?.

Com renovados aplausos, o Grande Teatro da Luz Celestial quase veio abaixo quando Bento Munhoz da Rocha Netto, Salvador de Ferrante e Glauco Flores de Sá Brito deixaram com a grande dama os três primeiros especiais abraços vindos dos nomes que hoje batizam os três auditórios do Centro Cultural Teatro Guaíra (CCTG).

A emoção parada no ar, um spot-light se direcionou para os antigos amigos e funcionários do Teatro Guaíra. O cortineiro Gercino Conceição, como não podia deixar de fazer, abriu a fila de cumprimentos. Em seguida, correu para o abraço Alberto de Oliveira, o grande coronel Xiririca, guardião do Teatro Guaíra. Logo após, aquelas doces criaturas que tanto cuidaram da atriz: as camareiras Marlene Conceição e Zilá Pereira, a costureira Terezinha Farrapo. Homens de mãos calejadas, os maquinistas choravam felicidade: Panhe, o mestre carpinteiro, Jorge de Lima, Antônio Perevalo, Chapula, Antônio Zampier e Irineu Adami; marceneiro que terminou sua carreira subindo também aos palcos. Rui Silva, o eletricista, ao lado de Pedro Michalski, o mais antigos dos iluminadores do Guaíra.

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Sol Rodriguez, o bilheteiro do Teatro de Bolso, conferia; Ernani Gomes Correia, o E.G.C., saltitava; e Nélson Faria anotava para a coluna do Dino Almeida.

Então chegou a vez de Lala Schneider dar o seu mais profundo e agradecido abraço ao mestre que lhe ensinou o caminho da luz: Aristides Teixeira, o primeiro diretor da grande dama. Foi um momento de encantamento, só quebrado pela alegria dos Irmãos Queirolo: Lafayete, Julião e Sérgio descontraíram aqueles momentos de pura emoção.

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– Merda, Lala! – saudou Juve Garcia, o faz-tudo do Guaíra que levou um beijo na testa e um tapa na bunda.

– Merda! – repetiu Claudete Baroni, a grande musa da companhia de Roberto Menghini, com ele próprio também se enrodilhando com as divas, mais Clóvis D?Aquino, Aírton Muller e Edy Franciosi.

Antônio Carlos Kraide chegou brindando com um copo de champanhe e, sempre irreverente, fazia o mestre de cerimônias:

– Lalinha, meu bem, quero lhe apresentar uma pessoa que você não deve ter conhecido. Lala Schneider, este é o Cláudio Correia e Castro; Cláudio Correia e Castro, esta é a Lala Schneider!

Muitos risos no salão, os velhos e queridos caíram nos braços um do outro.

De repente, o vozeirão de antigo locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro se fez ouvir:

– Lala, amor da minha vida, o que Cláudio Correia e Castro tem que eu não tenho? Beija também esse teu sempre apaixonado Sansores França!

Também foi bonito o beijo que a dama recebeu do Joel de Oliveira.

– Zé, vamos enfim fazer ?Quem tem medo de Virgínia Wolf??

Zé Maria Santos, com aquele seu jeito amuado, lançou um olhar arrependido e mergulhou a cabeça no ombro da amiga. E o Narciso Assumpção soltou aquela sua escandalosa gargalhada.

Oraci Gemba, com o seu indefectível xale enrolado no pescoço, puxava outro grande elenco: Joel de Oliveira, Ariel Coelho, Idelson Santos, Fernando Zeni, Olinda Wischeral, Cleon Jaques, Hugo Duarte, Rogério Delê e Aílton Silva, o Caru.

Soaram então as célebres pancadas de Molière, se fez silêncio, e Edson d´Ávila, ao lado de sua Delci, anunciou:

– Querida Lala, são para você o bailado de Rita Pavão, a voz de Odelair Rodriguez e a música de Lápis.

E a festa foi eternidade adentro, porque o show não pode parar.

(Do correspondente Aramis Millarch)