Confesso que fiquei muito sensibilizado com sua importante opinião sobre minha manifestação a respeito da Universidade do/no Litoral. O meu texto foi escrito com total sentimento de que, no sentido das palavras, alguma coisa está diferente (ou melhor, bem diferente) do que se pretende realizar. Como diz o nosso povo: “Somos caboclinhos, mas não estamos de bobeira”.

Como enviei o texto pela internet, não ficou destacado que sou residente em Paranaguá e que o texto em questão foi inicialmente publicado na coluna Universidade em Foco, que é de minha responsabilidade, e apresentada todas as quintas-feiras no Jornal Folha do Litoral, de Paranaguá. Além disso, sou vereador na cidade e funcionário do Banco do Brasil (Gerente de Contas), formado em Matemática pela Faculdade local.

Considero importante sua análise, pois vem de encontro a uma preocupação que tenho de não podermos viabilizar em Paranaguá e região, a nossa Universidade. Por isso, tomei a liberdade de transcrevê-la em nossa coluna desta quinta-feira, com o devido destaque a sua pessoa, a coluna EM TEMPO e ao jornal O Estado do Paraná.

Por ser uma cidade dentro da área de preservação da Serra do Mar, ficamos impedidos de implementar qualquer Distrito Industrial que se possa pensar ou planejar. Como temos essa importante área de preservação e uma baía com importante ecossistema (marítimo e terrestre), entendo que devemos nos voltar a estudos científico-educacionais dessas potencialidades. E nada mais importante para se atingir esse objetivo senão através de uma Universidade, cujos estudantes poderão realizar importante trabalho em pesquisa de campo, praticamente dentro da flora e fauna marítima da região.

Com isso, teríamos estudantes dos diversos estados brasileiros que aqui viriam para estudar, morar, comer, se vestir, se divertir etc, proporcionado empregos em toda a região, cujo grande desafio é incrementar as atividades econômicas, fora do período da temporada de verão, que se resume a dois ou três meses ao ano.

Portanto, com a criação da Comissão de Estudos, através do decreto n.º 948/03, tínhamos a esperança de se ver concretizado esse sonho, mas, pelo sentido das palavras, não quero crer no que vemos na imprensa: são criadas as comissões, mas nada se resolve, principalmente as CPIs. Espero não estar enganado, pois as pessoas que dela participam são de alto nível e, ao aceitar a incumbência, uma grande responsabilidade com o Paraná e o povo do nosso litoral. Acredito até que o governador realmente deseja implementar nossa Universidade. Entendo que é impossível fazê-lo em dois ou três meses. Mas precisamos da certeza de que acontecerá nos próximos anos, com um planejamento sério e consistente, para implementação nos próximos quatro anos. Com sua estupenda votação em Paranaguá (mais de 70%), não acredito que deixará de cumprir esse compromisso público.

Não vejo outra saída para desenvolvermos economicamente a região. Até para a implementação de um programa sério de turismo (que é o que sempre se fala por aqui), precisaremos preparar o nosso povo para receber bem os que nos visitam, mostrar a importância do processo turístico para a cidade, de como manter a cidade sempre limpa etc, e isso será possível com a ajuda dos universitários em trabalho de campo. Também com cursos na área de pesca, logística portuária, recuperação de monumentos históricos etc, que seriam adicionados aos atuais cursos da nossa Fafipar, no setor de Letras e Pedagogia, Administração e Comércio Exterior. Imagina um filho de pescador se formando em Engenharia de Pesca. Nas Universidades de Londrina e Guarapuava, nossos índios que sempre foram marginalizados (infelizmente), mas hoje estão tendo a oportunidade de estudar numa Universidade. Inclusive em Medicina. O que parecia impossível, hoje está se tornando realidade. E fico feliz com isso. Por que não poderemos fazer o mesmo no Litoral com o nosso filho de pescador?

Por isso conto muito com o seu apoio à nossa causa e gostaria de ter o prazer de um dia de conhecê-lo pessoalmente, inclusive numa visita a Paranaguá. Deixo aqui o meu abraço e eterno agradecimento.

Mario Francisco de Assis Gonçalves”

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