– Pai, quando crescer quero ser alpinista!

– Então trate de arrumar uma máquina fotográfica e um bom assessor de imprensa!

 Waldemar Niclevicz, o primeiro brasileiro a atingir o topo do Everest, foi alçado pela revista Época ao topo das supostas maracutaias nacionais. Na edição desta semana, o semanário destaca na capa que o paranaense não está à altura da fama, colocando em dúvida suas tantas façanhas. Baseada em vários depoimentos de colegas alpinistas, a revista publica que Niclevicz teria proposto a um companheiro forjar a chegada ao cume de uma poderosa montanha e, além de supervalorizar seus feitos, teria até mesmo utilizado fotografias de algumas montanhas para identificar outras que ele talvez não tivesse escalado.

No outro lado da corda, o nosso Niclevicz, prefere não comentar as acusações e críticas ao seu estilo ?marqueteiro?, segundo os desafetos que montaram acampamento na imprensa e cabem em dezenas de barracas.

SE CRÍTICAS E SUSPEITAS são procedentes ou não, a verdade é que a mentira é uma bola de neve. Não há quem segure uma suspeita rolando montanha abaixo. E daí para o perigoso terreno da galhofa, necrose certa é virar personagem do Casseta&Planeta. E lá vem Bussunda:

– Praticantes do esporte garantem que Niclevikewski não trepa nem mesmo em casa!

Ainda no mortal campo da ironia, todos ainda devem lembrar de uma velha piada que os inimigos faziam do falecido deputado Aníbal Curi. Dizia a maldade, que três coisas jamais alguém tinha visto: enterro de anão, gêmeos negros e eleitor do Aníbal Curi. Agora, podem incorporar mais um ítem inacreditável: o Niclevicz no topo do Everest.

O ALPINISTA ESTÁ NO PRECIPÍCIO e precisa ser salvo. Até porque, consta que esses questionamentos quanto a veracidade dessas façanhas são comuns entre montanhistas. Volta e meia rola um deles, do cume da fama abaixo. Isso se deve ao fato de que os registros das aventuras se sustentam somente com base nos relatos dos interessados. Ou baseados numa boa fotografia colorida com uma bandeira desfraldada e um céu azul de fundo. De resto, só Deus como testemunha.

Em defesa de Niclevicz, é bom lembrar de passagem essas pesquisas eleitorais que pipocam nos meios de comunicação: Lula escalou o Everest, Ciro chegou no cume do Aconcágua, Serra desceu a serra e Garotinho no topo do Corcovado.

O que temos, são retratos dos alpinistas eleitorais, revelados por institutos de pesquisas. Se eles retratam a verdade, nada mais nos resta senão acreditar na palavra dos interessados. Se a tabulação da pesquisa não é mais fria que o topo do Marumby, numa noite de inverno, só Deus é testemunha.

SEM TESTEMUNHAS, como tirar o curitibano Niclevicz do fundo do poço? Talvez uma demonstração ao vivo e a cores, com direito a fotos da revista Época, na base do Corcovado, tendo por testemunha o povo do Rio de Janeiro.

Soldados do Corpo de Bombeiros dobram o pé direito de Niclevicz e o amarram nas costas do alpinista. Em seguida, ele inicia a escalada até o cocuruto do Cristo, numa prova cabal de suas façanhas passadas e futuras.

No dia seguinte, a manchete redentora da revista Época:

– Niclevicz escala o Corcovado com um pé nas costas!

De qualquer forma, o ?marqueteiro? e alpinista Waldemar Niclevicz já pode agendar um novo desafio: vai ter que escalar A Montanha dos Sete Abutres, filme que pode ser encontrado nas boas locadoras do ramo.

Até sexta-feira, aqui da planície.

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